Nas vastas planícies de Angola, onde os imbondeiros vigiam a paisagem há centenas de anos, conta-se uma antiga lenda sobre uma princesa desaparecida e uma árvore que se tornou sua guardiã.
É uma história de coragem, destino e esperança.
Dizem que, há muito tempo, existia um poderoso reino situado entre rios e montanhas. O soba governava com justiça e o povo vivia em paz. A sua única filha, a princesa N'Gola, era admirada pela inteligência e bondade.
Ao contrário de outras jovens da corte, N'Gola gostava de caminhar pela savana. Conversava com os pastores, ajudava os mais velhos e passava longas horas sentada à sombra dos imbondeiros.
Os anciãos diziam que a natureza a reconhecia como filha.
Certa manhã, durante uma viagem para visitar uma aldeia distante, uma tempestade inesperada cobriu a savana. O vento levantou nuvens de poeira e os membros da comitiva perderam-se uns dos outros.
Quando a tempestade terminou, a princesa tinha desaparecido.
Durante dias, guerreiros percorreram rios, florestas e montanhas.
Nada.
Semanas transformaram-se em meses.
Nada.
O reino mergulhou na tristeza.
Mas uma velha curandeira afirmou ter recebido uma visão.
Segundo ela, a princesa estava viva e tinha sido protegida pelo mais antigo dos imbondeiros da região.
Os guerreiros seguiram a indicação.
Depois de uma longa viagem, encontraram uma árvore gigantesca no centro da savana. O tronco era tão vasto que parecia uma fortaleza.
Ao aproximarem-se, ouviram uma voz.
Era N'Gola.
A princesa estava abrigada numa cavidade natural do imbondeiro, onde sobrevivera graças à água acumulada no tronco e aos frutos que encontrava nas redondezas.
Quando regressou ao reino, contou algo extraordinário.
Disse que, durante o tempo em que esteve desaparecida, ouvira histórias vindas do interior da árvore. Histórias dos povos antigos, dos animais da savana e dos antepassados que haviam construído o reino.
Ninguém soube explicar o que realmente aconteceu.
Mas desde então aquele imbondeiro passou a ser conhecido como o Guardião da Princesa.
A lenda afirma que, sempre que alguém se perde na vida — não apenas nos caminhos da terra, mas também nos caminhos do coração — pode encontrar orientação junto de um velho imbondeiro.
Porque algumas árvores não mostram apenas o caminho de regresso.
Mostram também quem realmente somos.
Fontes:
– Tradição oral angolana
– Narrativas populares sobre o baobá
– Estudos sobre simbolismo da árvore da vida em Angola
REAT, Rádio Estudantil Angolana de Transmissões.


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