terça-feira, 27 de janeiro de 2026

MOSTEIRO DE SANTA MARIA DA FLOR DA ROSA - PRIOR DO CRATO


A LENDA

«Havia em tempos muitos antigos um pequeno lugarejo, onde vivia um cavaleiro de nome ilustre, muito estimado por fidalgos e pelo povo.

Mas este cavaleiro adoeceu gravemente e soube-se que poucos dias lhe restavam. Como era muito estimado, iam-lhe levar presentes. Entre as pessoas que o visitavam, uma chamada Rosa levou-lhe uma flor do seu nome.

Foi para o cavaleiro a melhor visita e a mais bela prenda, pois ROSA era sua noiva.

Todas as pessoas esperaram a morte do cavaleiro, mas o destino é por vezes traiçoeiro e foi ROSA que morreu, tendo-se ele salvo.

Desde esse dia, o cavaleiro era muitas vezes encontrado a chorar junto da campa da sua noiva. Então os desgostos matam-no. Mas nos últimos momentos da vida faz dois pedidos:

Queria que a flor que ROSA lhe oferecera o acompanhasse à sepultura e que fosse dado àquele lugar o nome de FLOR DA ROSA em homenagem à sua amada».

HISTÓRIA

Este Mosteiro foi mandado construir em 1356 por D. Álvaro Gonçalves Pereira, primeiro Prior do Crato e pai do Santo Condestável, D. Nuno Álvares Pereira.

Embora seja comum apontar-se Flor da Rosa como local de nascimento de Nuno Álvares Pereira, não há qualquer evidência histórica que confirme essa hipótese e, pelo contrário, a maioria dos historiadores aponta que tenha nascido em Cernache do Bonjardim.

Em 1232 o Rei D. Sancho II doou a povoação do Crato à Ordem dos Hospitalários. Foi em 1340 que a sede da Ordem do Hospital foi alterada de Leça do Bailio ou de Belver, para o Crato, tendo logo o Prior do Crato,  D. Álvaro Gonçalves Pereira, decidido fundar uma capela na localidade.

Com o crescimento da Ordem é então erguido este Mosteiro, casa-mãe da Ordem em Portugal, fundado em 1356. A partir do século XVI, a Ordem do Hospital passou a denominar-se Ordem de Malta, nome que ainda hoje conserva.


A ACTUALIDADE

Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa, também referido como Mosteiro da Ordem do Hospital de Flor da Rosa,  Igreja de Flor da Rosa,  Convento de Flor da Rosa,  Paço de Flor da Rosa e Pousada da Flor da Rosa, é considerado o mais importante exemplo de mosteiro fortificado existente na Península Ibérica.

É composto por três edificações distintas: a igreja fortaleza de estilo gótico, um paço acastelado gótico, já com alterações quinhentistas, e as restantes dependências conventuais já renascentistas e mudéjares.

O Mosteiro da Ordem do Hospital de Flor da Rosa foi classificado como Monumento Nacional em 1910 e, na década de 1940, começaram as obras de restauro. Mais tarde, em 1991 iniciam-se os trabalhos de reconversão para Pousada de Portugal.

Actualmente, o Mosteiro abriga o túmulo do fundador, uma pousada da Enatur e o Núcleo de Escultura Medieval do Museu Nacional de Arte Antiga.


 A FLOR DA ROSA É CONSIDERADA A EX-LIBRIS DO CONCELHO DO CRATO


Nota: Pesquisa feita por V. Oliveira

 

 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

CASTELO DE ALMOUROL


A LENDA

Nos primeiros tempos da Reconquista, um cavaleiro cristão chamado de D. Ramiro, regressava de combates contra os muçulmanos  com um certo orgulho pelas vitórias conseguidas, quando encontrou duas mouras - Mãe e Filha.

Trazia a jovem uma bilha com água que, assustada, deixou cair quando o cavaleiro rudemente lhe pediu para beber.

Enfurecido, acabou por tirar a vida às duas mulheres no momento em que surgiu um jovem mouro… filho e irmão das vítimas!...

Aprisionado, D. Ramiro levou o cativo para o seu castelo onde vivia com a própria esposa e filha, as quais o prisioneiro mouro logo planeou assassinar como represália.

Entretanto, se à mãe passou a ministrar um veneno de acção lenta, pela filha, acabou por se apaixonar. Filha, a quem o pai planeava casar com um cavaleiro de sua fé, não amado por ela!

O amor do mouro era mais correspondido pela jovem, que entretanto tomara conhecimento dos planos egoístas do pai. E, forçosamente, os apaixonados deixaram o castelo e desapareceram para sempre…

Reza a lenda que, nas noites de São João, o casal pode ser visto abraçado no alto da Torre de Menagem e, a seus pés, jaz no chão a implorar perdão, o cruel D. Ramiro!

A HISTÓRIA

A partir do século III, o sítio do castelo de Almourol foi ocupado por outros grupos; nomeadamente os Alanos, os Visigodos e os Muçulmanos, (estes últimos a partir do século VIII).

No século XII, a fortificação já existia por eles denominada como Al-morolan  (pedra alta). Estrabão, historiador grego, já tinha dado a denominação com o termo de “Moron”, referindo-se a uma cidade situada à beira Tejo!...

À época da Reconquista cristã da Península Ibérica, quando esta região foi ocupada por forças portuguesas, Almourol foi conquistado em 1129 por D. Afonso Henriques  (1112-1185) e, o Soberano entregou-o aos cavaleiros da Ordem dos Templários, então encarregados do povoamento do território entre o rio Mondego e o Tejo, e da defesa da então capital de Portugal,  Coimbra.

Sob os cuidados da Ordem, constituído em sede de uma Comenda, o castelo tornou-se um ponto nevrálgico da zona do Tejo, controlando o comércio de azeite,  trigo, carne de porco, frutas e madeira entre as diferentes regiões do território e Lisboa. Acredita-se ainda que teria existido uma povoação associada ao castelo, em uma ou em ambas as margens do rio, uma vez que, em 1170, foi concedido foral aos seus moradores.

A ACTUALIDADE

O Castelo de Almourol localiza-se na freguesia de Praia do Ribatejo do município de Vila Nova da Barquinha, distrito de Santarém.

Integra actualmente a região do Oeste e Vale do Tejo, em Portugal,  embora a sua localização seja frequentemente atribuída a Tancos, visto ser a vila mais perto e de onde se vislumbra melhor.

Ergue-se num afloramento de granito a 18 m acima do nível das águas, numa pequena ilha de 310 m de comprimento por 75 m de largura, no médio curso do rio Tejo.

E constitui um dos exemplos mais representativos da arquitectura militar da época, evocando simultaneamente os primórdios do reino de Portugal e a Ordem dos Templários, associação que lhe reforça a aura de mistério e romantismo.

Nota: Pesquisa feita por V. Oliveira


terça-feira, 30 de dezembro de 2025

A CONQUISTA DO OESTE AMERICANO


PIONEIROS / EXPLORADORES

“BUFFALO BILL”

 WILLIAM FREDERICK CODY– 1846 – 1917


William Frederick Cody, conhecido por “Buffalo Bill”, nasceu em 26 de Fevereiro de 1846 e faleceu em 10 de Janeiro de 1917, com 70 anos de idade. Serviu no exército, foi caçador de búfalos, batedor na cavalaria americana, condutor de diligências, empregado no “pony express”, empresário de circo, gerente de hotel, ferroviário, entre outras actividades. Nasceu em Scott County, no Estado de Iowa, perto da cidade de Le Claire e tornou-se numa das principais figuras do mítico “Velho Oeste”, e famoso pela organização de espectáculos de circo cujos temas foram relacionados com cowboys, rancheiros e índios.

William ficou alcunhado de “Buffalo Bill” quando tomou a seu cargo um contrato para aprovisionar a Companhia dos Caminhos de Ferro do Kansas com a carne de bisonte para alimento dos trabalhadores. Somente em dezoito meses (1867/68) matou 4.280 bisontes. Na altura, havia outro caçador, William Comstock, que era alcunhado de “Buffalo Bill” e, para que a alcunha fosse ajustada a um só caçador, fizeram uma competição de tiro ao búfalo. Cody, conseguiu vencer a competição matando 68 búfalos contra os 48 de Comstock. A sua táctica foi ter usado uma espingarda de canos curtos com disparos repetitivos.

Bill, nasceu no seio duma família de fazendeiros que viviam no Condado Escocês de Iowa. Seu pai, Isaac Cody, nasceu em Toronto, no Canadá, em 5 de Setembro de 1811. A sua mãe, Mary Annn Bonsell Laycock, nasceu em 1817 perto de Philadelphia. Mary deslocou-se para Cincinnati para dar aulas, e nesta localidade, encontrou e casou-se com o pai de Buffalo Bill. Mais tarde, em 1853, acabaram por se mudar para o Forte Leavenworth, no Kansas, numa altura em que um irmão de Bill morreu numa queda de cavalo.

Chegados ao Estado de Kansas, o pai de Buffalo Bill defendeu os direitos dos escravos porém, só viria a conseguir inimizades por parte doutros fazendeiros pró-escravatura. Num ajuntamento público, Isaac Cody, foi apunhalado enquanto discursava em prol dos escravos. Arrastado pelo filho, foi salvo apesar da gravidade do ferimento.

Em 1857, após a morte de seu pai, a família sofreu dificuldades financeiras e, Buffalo Bill, apenas com 11 anos, teve que se empregar como carregador na Companhia dos Caminhos de Ferro. Posteriormente, juntou-se às Forças Militares do Utah para lutar contra os índios da tribo Sioux que ameaçavam a população colonizadora dos Mormons, em Salt Lake City. Com 14 anos desloca-se à procura de ouro, e na sua rota e em contacto com um agente, alistou-se no Pony Express. Tornou-se num cavaleiro experiente levando mensagens de correio a diversas Estações e cidades do Oeste, emprego que acabaria por abandonar devido à doença da sua mãe. Segundo o escritor Ned Buntline, Buffalo Bill bateu o record cavalgando 518 quilómetros em 21 horas e 30 minutos, tendo mudado de cavalo 21 vezes.

Após a recuperação da saúde da sua mãe, tentou alistar-se no exército todavia, como era muito novo, foi recusado pertencer às fileiras. Assim, teve como destino trabalhar em caravanas que se dirigiam para o Forte Laramie, transportando víveres.

Em 1863, depois da morte da sua mãe, Cody alistou-se no Regimento da 7ª. Cavalaria do Estado de Kansas, combatendo pela União. Em 6 de Março de 1866, de licença militar, casou-se com Louisa Frederici, da qual teve quatro filhos, sendo que dois viriam a falecer ainda muito jovens, sepultados no cemitério de Mount Hope, na cidade de Rochester, N.Y.

Buffalo Bill, em homenagem a Kit Carson, colocou ao seu filho, o nome do seu admirador – Kit Carson Cody, que viria a falecer a 20 de Abril de 1876, com cinco anos e meio de idade.

Desde 1868 até 1872, Cody, desempenhou as funções de batedor do exército. Parte deste tempo dedicou-o ao reconhecimento das tribos índias, reuniões de pacificação, e na caça de bisontes para abastecimento dos Caminhos de Ferro do Pacífico.

Em 1869, juntamente com Frank North e milícias índias da tribo Pawnee, Cody alcançou uma vitória na batalha travada contra os Cheyennes em Summit Springs, no Colorado. Chegou a afirmar-se que teria morto o chefe guerreiro Tall Bull nessa batalha.

Em Janeiro de 1872 Cody serviu de guia ao Grão Duque Alexei Alexandrovich da Rússia, numa caçada real nas pradarias do Oeste Americano.

Em 1876, servindo como milícia na 5ª. Cavalaria sob o comando militar do General George Crook contra a tribo Sioux, supõe-se que Bill teria morto o chefe Mão Amarela da tribo Cheyenne e por vingança da morte do General Custer.

Depois de ter deixado o exército, iniciou-se no campo do espectáculo. Em 1883, formou a Companhia “Buffalo Bill Combination” com cenas do Oeste Americano. Fizeram parte desta Companhia os seus amigos pessoais – Texas Jack Omohundro, Wild Bill Hickok e o famoso chefe índio Sitting Bull. No seu circo englobou muitos artistas internacionais, não esquecendo a americana, verdadeira atiradora, Annie Oakley e o seu marido. Mais tarde, com outros sócios, continuou a fama do “Buffalo Bill´s Wild West Show”.

  Texas Jack/Hickok/B. Bill,                          BUFFALO BILL e                          Annie Oakley

 

Com os proveitos do circo comprou um rancho em North Platte, no Nebraska, em 1886. E, em 1887, actuou em Londres na altura da celebração do Ano Jubileu da Rainha Victória, e continuando em tournée pela Europa.
B. Bill / Sitting Bull

Cody faleceu de insuficiência renal a 10 de Janeiro de 1917, em casa da sua irmã, em Denver. Um dia antes de falecer, William F. Cody, foi batizado pelo padre Christopher Walsh, na Catedral de Denver. Após a sua morte, a família recebeu as condolências de grandes figuras internacionais: Rei de Inglaterra, Alemanha, e do Presidente Woodrow Wilson. O seu funeral foi realizado em Denver, no Elks Lodge Hall. O Governador do Estado de Wyoming, John B. Kendrick, amigo pessoal de Bill, liderou os trabalhos fúnebres, em Elks Lodge.


     FUNERAL                                                                                    SEPULTURA


Recebeu a Medalha de Honra em 1872 pelos seus serviços ao exército. A efeméride foi revogada em 1917, 24 dias antes da sua morte, porque ele era um civil. Em 1989 foi devolvida a medalha à família.

LIVROS DA BANDA DESENHADA






Nota: Os Sioux chamavam a B. Bill de “pahaska”- Cabelos longos


Até breve

O amigo Vítor Oliveira -- Ocart

 

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

O MILAGRE DO SAL EM RIO MAIOR


As Salinas da Fonte da Bica estão no vale Tifónico, no sopé da Serra dos Candeeiros, a três quilómetros de Rio Maior.

Nomeadas de Salinas da Fonte da Bica, mais conhecidas por Salinas de Rio Maior, possuíam principalmente proprietários da Fonte da Bica e como se localizava relativamente perto, nos documentos e escrituras é aplicado o termo correcto e original, de Salinas da Fonte da Bica.

A LENDA

O incontornável Pinho Leal, no seu “Portugal Antigo e Moderno”, refere uma Lenda que explica a localização actual das Marinhas do Sal.

Segundo ele, uma pastora que por ali guiava o seu rebanho terá sentido sede e procurado água numa nascente situada imediatamente a Leste da povoação designada como Fonte da Bica.

Ao provar a água, constatou que a mesma era muito salgada, tendo informado a sua família que imediatamente acorreu ao local.

A HISTÓRIA

Estas salinas são o Testemunho antigo de um mar pré-histórico que terá existido no local, razão que explica a alta concentração de potássio e a qualidade deste sal.

As Salinas de Rio Maior têm oito séculos de História. Em 1177, Pêro d’Aragão e sua mulher Sancha Soares venderam aos Templários “a quinta parte que tinham do Poço e Salinas de Rio Maior, cujo Poço partia pelo Este com Albergaria do Rei, pelo Oeste com D. Pardo e com a Ordem do Hospital, pelo Norte com Marinhas da mesma Ordem e pelo Sul com Marinhas do dito D. Pardo”. Assim diz Pinho Leal, citando o escrito comprovativo dessa venda. Este Documento, que é o mais antigo que se conhece referente a Rio Maior, encontra-se arquivado na Torre do Tombo em Lisboa.

Este contrato situa-se no limiar da nossa nacionalidade, já Lisboa e Santarém tinham sido conquistadas aos mouros por Dom Afonso Henriques, e ainda este não tinha sido reconhecido Rei pelo Papa, o que aconteceu só em 1179.


A Ordem dos Templários, proprietária de parte do Poço e Salinas como atrás se referiu, foi extinta em 1312, tendo todos os seus bens passado para a Coroa, sendo entregues à Ordem de Cristo em 1319, por ordem de Dom Dinis.

No entanto, Mariana Alcoforado em 1877, no seu Museu Tecnológico citado por Mário Vieira de Sá, no livro “ Sal Comum “, refere que as Marinhas pertenceriam à Casa de Bragança até à proclamação de Dom João IV, tendo-as este Monarca vendido ao Conde de Vimioso, “cujos herdeiros as terão alienado mais tarde a diferentes proprietários a quem hoje pertencem”.

Sendo o Rio Maior navegável até parte do seu percurso, é natural que fosse utilizado para comunicação com o Tejo, porta de saída principal para o comércio externo no qual se incluiria o sal pela sua extraordinária qualidade.

A ACTUALIDADE

Esta Mina de Sal-Gema, é extensa e profunda, atravessada por uma corrente subterrânea que alimenta um poço, e a água que se extrai dele é salgada sete vezes mais salgada que a do mar.

Essa água salgada corre por regueiras e enchem compartimentos (talhos) feitos de cimento ou pedra, de tamanho variado e poucos profundos.

Da sua exposição ao sol e ao vento e consequente evaporação da água obtêm-se o sal, depositado no fundo dos talhos, o qual depois é colocado em montes, em forma de pirâmides, para secar até ser recolhido.

Os esgoteiros, as eiras e as casas de madeira para armazenagem do sal completam o conjunto do que é denominado Marinhas de Sal de Rio Maior.


Nas Salinas de Rio Maior há sal sem mar!...

Classificadas como Imóvel de Interesse Público desde 1997, as Salinas de Rio Maior são hoje um dos pontos mais interessantes e incontornáveis no panorama turístico do Centro de Portugal.

No presente, no meio das ruelas ladeadas pelas Casas de madeira de aspecto rústico, nasceram cafés, lojas de velharias, restaurantes e espaços onde se vende sal e artesanato local, num esforço de modernização e de adequação da oferta às exigências do Mundo actual digno de uma nota especial.

Preservando as memórias locais e as técnicas e tradições antigas, as salinas tornaram-se um espaço etnográfico da maior importância e de grande interesse para todos os que as visitam.

Interessante, para além das velhas estruturas de madeira suportadas por troncos de oliveiras que preservam a sua forma rústica original, é a manutenção do sistema complexo de fechaduras em madeira, inventadas e desenvolvidas para evitar a utilização de materiais feitos de metal que estão muito expostos à oxidação reforçada aqui pela presença permanente do sal.


Nota: Pesquisa feita a um texto de “Leonor Especial”, no qual resumi e acrescentei imagens para enriquecimento do mesmo.

Vítor Oliveira

 


terça-feira, 25 de novembro de 2025

GRUTA DAS LAPAS


UMA REDE DE CAVERNAS MISTERIOSAS DEBAIXO DE UMA ALDEIA

Situam-se na freguesia de Lapas, concelho de Torres Novas, e são um dos mais enigmáticos conjuntos subterrâneos artificiais de Portugal.

A sua origem remonta ao Neolítico, cerca de 10.000 a.C., mas acredita-se que foram os romanos os primeiros a explorá-las para a extração de tufo calcário, utilizado na construção civil.

A estas grutas estão associadas várias lendas, sendo uma das mais populares a que afirma a existência de um túnel subterrâneo que as ligaria ao Castelo de Torres Novas. No entanto, não existem evidências concretas que comprovem esta ligação, sendo a história mantida viva pelo folclore local.

A verdade é que estas cavidades são o resultado da ação humana sobre o maciço calcário da região, tendo sido escavadas ao longo dos tempos para extração de pedra.

Nos anos 30 do século XX, foram descobertos, junto ao rio Almonda, artefatos neolíticos e ossadas, colocando a hipótese de que as grutas poderiam ter servido de abrigo a povos ainda mais antigos do que os romanos.

Atualmente, as Grutas das Lapas estendem-se por toda a aldeia, estando muitas delas sob habitações particulares, utilizadas como caves ou espaços de armazenamento. Apenas uma parte do complexo está protegida e aberta ao público, permitindo visitas a cerca de 700 metros quadrados do monumento natural.

O centro interpretativo, recentemente inaugurado, pretende valorizar este património pouco explorado, proporcionando aos visitantes um percurso seguro e educativo. O espaço inclui informação sobre a formação geológica das grutas, fósseis e explicações científicas sobre a sua história.


Entre história e lenda, as Grutas das Lapas continuam a fascinar quem as visita.

Para os habitantes locais, sobretudo para figuras como Vítor “Cartaxo”, guia tradicional do espaço, o mistério destas grutas é um dos seus maiores atrativos.

Segundo a tradição oral, no seu interior foi encontrada uma imagem de Nossa Senhora da Vitória, atualmente exposta na Igreja da aldeia. Histórias como esta fazem parte do imaginário da região e ajudam a manter viva a curiosidade sobre este património subterrâneo.

Com um potencial turístico ainda por explorar, as Grutas das Lapas são um testemunho fascinante da relação do homem com a paisagem ao longo dos séculos.

A valorização deste monumento não só preserva a memória do passado, como pode transformar-se num importante ponto de interesse para o turismo cultural e científico em Portugal.

Nota: Pesquisa no “portal Portugal no Mundo”. Resumo e acrescento com imagens feito por V. Oliveira

 


terça-feira, 11 de novembro de 2025

MAMOA DE ALCALAR


Portugal e os seus Lugares Mágicos

No lugar de Alcalar, freguesia da Mexilhoeira Grande, Portimão, encontra-se o complexo megalítico de Alcalar, constituído por cerca de 12 antas de corredor com vestígios de mamoa.

Entre estas, realçamos aquela que consideramos ser uma das mais importantes mamoas peninsulares, que, felizmente, está a ser preservada pelas entidades responsáveis pelo património arqueológico nacional.

A mamoa – ou tumulus – é uma anta coberta de terra, confundindo-se na paisagem com uma colina; toma esse nome porque assemelha-se a um seio de mulher. E é precisamente nesse seio que se empreende o mistério da geração.

Daí que, do ponto de vista mágico-simbólico, entrar numa mamoa equivale a um regresso ao útero da Terra-Mãe para voltar a nascer.

O recém-nascido, ou seja, aquele que nasceu de novo é, aquando das cerimónias efectuadas nas mamoas iniciáticas, um ser renovado, espiritualmente consciente, porque se iniciou nos mistérios da morte e renasceu para a vida.

A mamoa de Alcalar tem todas as características de ser um monumento iniciático, visto tratar-se de uma anta de corredor, com pequeno átrio e, no lado oposto, a câmara iniciática.

A sua orientação é Nascente-Poente, encontrando-se a câmara a Oeste e a entrada a Leste. O indivíduo era deitado com a cabeça voltada para poente e os pés virados para nascente.

Significando o poente a morte e o nascente a vida, o candidato, ao entrar na mamoa, símbolo do útero da Mãe-Terra, dirigia-se para o país dos mortos e, superadas as provas da iniciação, renascia voltado para o Sol nascente.


Nota: Referência de Eduardo Amarante, em "Lugares Mágicos e Megalíticos de Portugal"

Resumo e colocação de imagens feito por V. Oliveira


terça-feira, 28 de outubro de 2025

OS SETE CASTELOS DA BANDEIRA PORTUGUESA


Quais são os 7 castelos da Bandeira Portuguesa?

Os sete castelos são tradicionalmente considerados um símbolo das vitórias portuguesas sobre os seus inimigos mouros, durante o reinado de D. Afonso III, que supostamente conquistou sete fortalezas inimigas durante a conquista do Algarve, concluída em 1249.

Estes castelos seriam as fortalezas de Estômbar, Paderne, Aljezur, Albufeira, Cacela, Sagres e Castro Marim, todas pertencentes ao Algarve.

O Castelo de Estômbar, também conhecido como Abenabece, foi provavelmente construído no século XI, durante o período de domínio muçulmano.

Estômbar foi nessa altura um importante centro produtor de sal.

Segundo o investigador Christophe Picard, o castelo de Estômbar faria parte de um conjunto de fortificações muçulmanas ao longo da costa algarvia, em conjunto com os de Alvor, Portimão e Albufeira.

O Castelo de Paderne é um monumento militar na freguesia de Paderne, pertencente ao Município de Albufeira. O primeiro edifício militar naquele sítio terá sido um castro lusitano, conquistado depois pelos romanos, mas o castelo em si só foi construído nos séculos XI ou XII, durante o período muçulmano.

É considerado um dos símbolos do município, e um dos mais importantes exemplares da arquitectura militar islâmica na Península Ibérica. No interior destaca-se uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Assunção.

O Castelo de Aljezur foi edificado no século X pelos árabes e fez parte integrante do sistema defensivo de Silves. De acordo com os vestígios encontrados, o sítio foi ocupado pelo menos desde as idades do Bronze e Ferro, tendo sido depois utilizado durante os períodos romano e islâmico e após a Reconquista. A sua principal função era controlar a Ribeira de Aljezur, pelo que terá sido abandonado na transição entre os séculos XV e XVI, devido ao assoreamento daquele eixo fluvial.

O Castelo de Albufeira, de que restam ruínas, também referido como Castelo e cerca urbana de Albufeira, era um castelo islâmico almorávida, de planta poligonal, originalmente com nove torres.

Ao tempo da invasão romana da Península Ibérica denominava-se de "Baltum".

À época da invasão muçulmana, a partir do século VIII, teria sido fortificada, conforme atesta o seu topónimo árabe "Al-Buhera" com o significado de "Castelo do Mar". 

A povoação de "Al-Buhera" foi finalmente conquistada, em 1250, pelas forças de Afonso III  (1248-1279), sendo o castelo e os seus domínios doados pelo soberano aos cavaleiros da Ordem de Avis.  

O Castelo de Cacela ergueu-se na povoação de Cacela-Velha

Em posição dominante numa elevação rochosa sobranceira à ria Formosa, os seus vestígios encontram-se actualmente compreendidos no património classificado da Fortaleza de Cacela e da própria povoação de Cacela Velha, um dos mais importantes conjuntos arquitectónicos do Algarve.

 Pensa-se que, durante o califado, o alfoz de Cacela se estenderia até ao actual concelho de Alcoutim, englobando alcarias e castelos, tais como o Castelo Velho de Alcoutim e o Castelo das Relíquias, situados em espaços pastoris e mineiros.

A Fortaleza de Sagres, também referida como Castelo de Sagres ou Forte de Sagres, é um monumento militar.  

A fortaleza é de grande importância histórica, devido à sua ligação ao Infante D. Henrique e aos Descobrimentos Portugueses. 

As referências mais antigas ao cabo foram feitas pelo historiador grego Éfero de Cime, no século IV a.C., que o denominou de Hieron Akroterion. Este termo foi posteriormente traduzido para latim como Promontório Sagrado por Plínio, o Velho na sua obra História Natural. 

Castelo de Castro Marim é uma fortificação raiana, em posição dominante sobre o chamado monte do Castelo, defendia aquele ponto de travessia sobre a margem direita da foz do rio Guadiana.

Castro Marim recebeu Carta de Foral passada por D. Afonso III desde 8 de Julho de 1277, com a determinação para a reconstrução de sua defesa.

Posteriormente, mantendo a sua importância, foi ocupada por Vândalos e por Muçulmanos, alguns autores atribuindo a estes últimos a edificação do primitivo castelo, de planta quadrada, com torres semi-circulares nos vértices.


Nota: Composição feita por V. Oliveira