
https://www.youtube.com/watch?v=JD64lwH3cLc
Nota: Pesquisa num documentário “À
Descoberta de Portugal”, resumo e imagens compostas por V. Oliveira

https://www.youtube.com/watch?v=JD64lwH3cLc
Nota: Pesquisa num documentário “À
Descoberta de Portugal”, resumo e imagens compostas por V. Oliveira
Há algo excepcionalmente estranho nas duas ilhas, a Grande Diomedes, localizada no extremo leste da Rússia, e a Diomedes Menor, localizada dentro das fronteiras dos EUA, que desafia a lei dos fusos horários.
São ilhas adjacentes e
a distância entre elas é de apenas 4 km, mas há uma diferença horária de 21
horas entre elas.
Pode-se caminhar entre
as duas ilhas durante o inverno quando a água está congelada, mas a grande
diferença horária pode mudar eventos comuns de maneiras estranhas: quando é
tarde na ilha russa, também é tarde na ilha americana, mas na ilha russa é
tarde de hoje e na ilha americana é a tarde de ontem.
Se alguém que mora na ilha russa decidir ir «na tarde de segunda-feira, 1 de janeiro» visitar um amigo que vive na ilha americana, chegará na «no domingo 31 de dezembro».
Mas qual é a razão desta enorme diferença de horário?
Devido à localização privilegiada das duas ilhas, a Linha Internacional de Data (IDL) passa entre elas. É uma linha imaginária que atravessa o Oceano Pacífico e estabelece o fuso horário no mundo.
A Ilha Grande Diomedes está 21 horas à frente da Ilha Diomedes Menor, pelo que a primeira passou a ser chamada de Ilha de Amanhã e a segunda Ilha de Ontem.
Quem o desejar pode
comemorar duas vezes a chegada do Ano Novo mobilizando-se a uma curta
distância.
Nota:
Compilação e arranjo feito por V. Oliveira

Com cerca de 18 anos, a desenvoltura de Pêro da Covilhã impressionou um espanhol que no momento visitava a Covilhã para comprar tecidos e, teve em mente convidá-lo para servir o seu amo, D. Juan de Guzmán, irmão do Duque de Medina-Sidonia, um dos mais conceituados fidalgos de Sevilha.
E Pêro aceita a proposta…partindo para Sevilha, onde lhe fora atribuído o papel de espadachim.
Surpreendido com a estatura de Pêro da Covilhã, D. Juan de Gusman convida-o a participar nas embarcações do seu irmão, o Duque, conhecido também como o Pirata Espanhol. Mas Pêro recusa a oferta e, em 1474, acompanha D. Juan a Lisboa para um encontro com D. Afonso V de Portugal.
D. Afonso V interessou-se por Pêro da Covilhã conhecendo o seu domínio de
línguas, prioritariamente a língua árabe. E D. Juan cede a el-rei os serviços
do português. É assim que Pêro da Covilhã, com 24 anos, é admitido como moço de
esporas de D. Afonso V, e nomeado escudeiro, com direito a armas e cavalo.
Entretanto, D. Afonso V abdica do trono, para D. João II.
E assim D. João II, para estabelecer relações diplomáticas com a suposta "Terra do Preste João”, convida Pêro da Covilhã a partir por terra até à Etiópia prosseguindo a rota em direcção à Índia.
MISSÃO NO ORIENTE
Em 1487, D. João II envia-o juntamente com Afonso
de Paiva em busca de notícias do mítico reino do Preste João e,
da Índia. E
disfarçados de mercadores e treinados
por cosmógrafos régios e pelo rabino de Beja que lhes terá indicado
as portas da cidadela, no Cairo, partem a cavalo a 7 de Maio de Santarém
(onde estava a Corte), rumo a Valência.
Atravessam o sul da Península Ibérica até Barcelona,
onde chegam a 14 de Junho. Daí, uma nau levou-os até Nápoles em
dez dias e, daqui até ao arquipélago grego noutros dez dias.
Desembarcam na ilha de Rodes, que pertencia à Ordem dos Cavaleiros de
São João de Jerusalém, repousando em casa de frades portugueses.
Rodes seria a última terra cristã que pisariam. Daí,
rumaram para Alexandria, no Egipto, cuja religião predominante era
o islamismo, onde compraram algumas mercadorias para o seu disfarce de
mercadores. Depressa adoeceram com as chamadas "febres do Nilo",
quase morrendo. O naíbe, lugar-tenente do Sultão, toma-lhes as mercadorias
dando-os por mortos e sem descendentes. Porém, ambos recuperam e o naíbe
restitui-lhes o valor das mercadorias. A partir daí tentam reproduzir o
trajecto das especiarias no sentido oposto: rumo a Roseta de
cavalo e de barco ao Cairo. Juntam-se a uma caravana que,
percorrendo o deserto pela margem oriental do Mar Vermelho, vai cruzar
a Arábia, rumo a Adem, às portas do Oceano Índico; passam pelo Suez, Tor,
o deserto do Sinai, Medina e Meca, a cidade sagrada
do Islão, onde tiveram que fazer penitência e rezar ao profeta Maomé,
para manter o disfarce.
Chegam a Adem já no ano de 1488 e aí se
separam com reencontro combinado no Cairo, junto à porta da cidadela,
durante o anoitecer de um dos primeiros noventa dias de 1491; Afonso
de Paiva ruma à Etiópia em busca do Preste João, e Pêro da
Covilhã vai para a Índia.
Pêro chega em Novembro de 1488 a Calecute,
um dos pequenos reinos da Índia actual. Aí terá conhecido um mercador
que lhe terá explicado o percurso das especiarias; terá indicado a existência
do Ceilão, de onde vinha a canela, e da Malásia, a noz-moscada,
e o papel de Calecute em todo o processo. Era aqui que afluíam as especiarias,
prontas para embarcar rumo ao Mar Vermelho (e, posteriormente, para Veneza).
Na sede de melhor saber, Pêro visita Cananor, Goa e Ormuz,
na costa do Malabar, confirmando que o movimento comercial era, de facto,
inferior ao de Calecute.
Em Dezembro de 1489 parte Pêro da Covilhã de
Ormuz rumo à costa oriental de África. Visita Melinde, Quíloa, Moçambique e,
finalmente, Sofala, registando os entrepostos comerciais dos mouros. Pêro
da Covilhã regista, assim, que uma vez dobrado o fim da África (mais tarde
designado do Cabo das Tormentas), bastará atingir Sofala ou Melinde e
facilmente se alcançaria Calecute. Será com base nesta anotação que Vasco
da Gama decidiu atravessar o Oceano Índico directamente para
Calecute, na sua pioneira expedição marítima à Índia.
A 30 de Janeiro de 1491, Pêro da
Covilhã dirige-se às portas da cidadela do Cairo, conforme
combinado e, em vez de Afonso de Paiva, encontra o Rabi Abraão (o rabino de Beja)
e um outro judeu português, José de Lamego, que lhes comunicam que
Afonso de Paiva teria falecido ali no princípio do mês, mas que falecera
de peste sem poder contar as suas viagens ou aventuras, da notícia do
nascimento do seu filho, que Catarina baptizou de Afonso, em homenagem ao rei,
e do feito de Bartolomeu Dias, que tinha dobrado o Cabo das Tormentas,
agora designado Cabo da Boa Esperança.
Mas el-Rei D. João II teria pedido ao Rabi Abraão que
fosse confirmar a importância de Ormuz, segundo relatos de José Lamego, que
desconhecia que importante era Calecute, e não Ormuz.
Assim, Pêro redige o relatório para o rei, que seria entregue por José Lamego, e parte para Ormuz com o Rabi. Aí, Pêro da Covilhã deixa o Rabi e regressa a Adem, para saber notícias do Preste João, já que Afonso de Paiva não as pôde comunicar. Daí toma um barco até Zeilá, mas a sul, já na costa da Etiópia.
Etiópia
Rico e bem acolhido pelo imperador Alexandre,
descendente do Preste João, ali casou e teve filhos, vindo a morrer muitos
anos depois. Constatou que afinal o mítico reino não era mais senão um pobre
povo que tentava evitar ser esmagado pelos vizinhos muçulmanos — não poderia
valer Portugal de qualquer ajuda, mas sim a eles que teriam que ser
ajudados na luta contra os infiéis.

Com a morte de Nahu, em 1508, Pêro da Covilhã é
mantido como conselheiro régio da nova rainha Helena. É por sua
indicação que a rainha envia o embaixador Mateus a Lisboa,
acompanhando dois frades portugueses que ali apareceram, e de quem viria Pêro
da Covilhã a saber da morte de D. João II, da ascensão de D. Manuel I, e
dos sucessos de Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral.
Recebeu, entretanto, a visita de alguns portugueses a
quem terá dado notícias importantes. É, em 1521, encontrado pelo
embaixador D. Rodrigo de Lima. O relato das suas viagens foi enviado ao padre Francisco Álvares pelo
próprio Pêro da Covilhã, que o publicou na Verdadeira Informação das
Terras do Peste João das Índias, que veio a ser editada em Lisboa,
em 1540.
Nota:
Pesquisa feita por V. Oliveira
No dia do seu aniversário, celebramos a vida e o percurso de uma mulher cuja história se confunde com a própria história de resistência, cultura e identidade do povo do antigo Alto-Zambeze.
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| Rainha Nyakatolo Chilombo |
Em Abril de 1918, quando a Primeira Guerra Mundial arrastava a Europa para um dos seus capítulos mais sombrios, um jovem soldado português, franzino e analfabeto, tornou-se protagonista de um dos episódios mais extraordinários da história militar nacional.
Milhais era um trabalhador agrícola habituado à dureza do campo transmontano. Alistou‑se no Exército em 1915 e, dois anos depois, integrou o Corpo Expedicionário Português (CEP), sendo destacado para a frente de batalha na Flandres, como membro da 2.ª Divisão de Infantaria. A participação portuguesa na guerra era marcada por falta de recursos, cansaço extremo e escassos meios logísticos, num sector onde se acumulavam baixas muito antes de qualquer grande batalha.
La Lys: o dia em que Milhais mudou o destino de centenas
A 9 de Abril de 1918, os alemães lançaram a ofensiva da Primavera — conhecida entre os portugueses como Batalha de La Lys — esmagando posições aliadas na região de Estaires. O CEP, que deveria ter sido substituído nessa mesma manhã, enfrentou sozinho o impacto inicial da ofensiva. Em poucas horas, o contingente português sofreu quase 14 mil baixas entre mortos, feridos e prisioneiros, num dos maiores desastres militares da participação lusa no conflito.
Segundo os arquivos militares, Milhais deslocava‑se entre trincheiras, utilizando munições recolhidas de soldados mortos para prolongar o combate e criar a ilusão de que várias posições continuavam defendidas, quando na verdade combatia completamente sozinho.
Quatro dias perdidos entre fogo, lama e cadáveres
Quando regressou finalmente ao acampamento português, sujo, esgotado e quase irreconhecível, muitos acreditavam estar perante um fantasma. Fora dado como morto dias antes.
Da glória militar ao regresso à terra pobre
O ato de coragem valeu‑lhe a Ordem da Torre e Espada, a mais alta distinção militar portuguesa, entregue no próprio campo de batalha — caso único na história da condecoração. Recebeu também distinções estrangeiras, incluindo a Legião de Honra francesa.
Mas a vida do herói não seguiu um caminho de glória permanente. Regressado a Valongo de Milhais após a guerra, encontrou a mesma pobreza e os mesmos campos áridos da infância. Casou, teve vários filhos e tentou emigrar para o Brasil em 1928. Os portugueses lá residentes, ao perceberem que o herói nacional vivia na miséria, angariaram fundos para o trazer de volta, considerando indigno que alguém com o seu legado fosse obrigado a sobreviver como emigrante pobre.
Em 1924, a povoação onde nascera passou oficialmente a chamar‑se Valongo de Milhais, em sua homenagem. O soldado viveu o resto da vida de forma simples, trabalhando a terra, sem nunca se vangloriar dos feitos que o tornaram lendário.
Milhais morreu no dia 3 de Junho de 1970, com 74 anos, na aldeia onde nascera. A sua história, porém, sobreviveu muito além da sua própria voz.
O herói que o país não esquece
Nota: Pesquisa e composição feita por V. Oliveira