Antónia Rodrigues, nascida a 5 de Janeiro de 1572, foi uma figura aveirense cuja vida viria a destacar-se pela coragem e pelos feitos militares alcançados no Norte de África.
O documento partilhado aqui corresponde ao seu assento de batismo, lavrado na antiga paróquia de São Miguel e preservado no acervo do Arquivo Distrital de Aveiro.
Filha de Simão Rodrigues e Leonor Dias, nasceu numa família humilde e ligada ao mar e, reza a lenda que, com cerca de 13 anos, decidiu cortar o cabelo, vestir-se como
rapaz e adotar o nome António Rodrigues, embarcando como grumete rumo a Mazagão, então praça portuguesa em território marroquino.
A sua bravura rapidamente se tornou notória. Integrou a infantaria local, combateu em várias ações militares e destacou-se pela destreza no manejo das armas.
A rapidez com que ganhou reconhecimento levou-a à cavalaria, onde comandou ataques e frustrou investidas inimigas. A reputação que construiu valeu-lhe os epítetos de “Cavaleira Portuguesa”,
“Amazona de Mazagão” e “Terror dos Mouros”, tornando-se uma das figuras femininas mais singulares da história militar portuguesa.
A revelação da sua real identidade, a qual se viu forçada após vários anos ao serviço, apenas reforçou a admiração que
lhe era dedicada. Terá casado com nobre cavaleiro e, retornada ao país de origem, viu os seus serviços reconhecidos pela Coroa, recebendo mercês e distinções.
Pouco se conhece sobre os seus últimos anos de vida, mas a memória da sua determinação permanece viva, enriquecida pela confirmação documental
da sua data de nascimento, identificada em 2020 pelo historiador Francisco Messias.
Registos paroquiais para genealogia – Torre do Tombo
Nota: Pesquisa ocasional feita nos arquivos da Torre do Tombo por, Vítor Oliveira





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