A Palanca Negra Gigante, também conhecida por palanca real de Angola ou palapala conforme é chamada pelos habitantes de certas regiões onde ela habita, é um dos antílopes mais raros do mundo. É um dos mais importantes símbolos de Angola, aparecendo na moeda nacional, nos passaportes, como símbolo da companhia aérea nacional e figura estampada no uniforme da selecção nacional de futebol, com o mesmo nome.
De nome científico Hippotragus niger variani, a palanca negra gigante é uma subespécie da espécie de palanca negra (Hippotragus niger). É antílope grande e musculado, que só se encontra em Angola, e um dos últimos grandes mamíferos descritos em África. O termo “gigante” deriva dos seus enormes cornos curvos, que podem crescer até 165 cm de comprimento, tamanho pouco comum e único para um antílope.
A caça furtiva pelos seus grandes cornos, a perda do seu habitat devido a actividades humanas na região e especialmente a guerra civil durante e após a independência de Angola causaram impactos negativos dramáticos nas populações de palanca negra gigante, levando os cientistas a acreditar que a mesma havia sido extinta em Angola.
Ainda após o término dos conflitos, não haviam informações sobre a sua localização e, só em 2005, depois de muitas buscas e monitoramento com GPS e câmeras fotográficas com sistema de infravermelho, um grupo do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola, liderado pelo Dr. Pedro Vaz Pinto, obteve as primeiras evidências fotográficas do único rebanho constituído apenas por fêmeas. Estas palancas eram as únicas que sobreviveram no Parque Nacional de Cangandala, ao sul de Malanje.
Por não se verificar a presença de um único macho, as palancas negras gigantes cruzaram-se com outra subespécie, a palanca vermelha (Hippotragus equinus), dando origem a crias híbridas, o que colocou a palanca negra gigante num risco maior de extinção. Estes híbridos, devido as suas alterações genéticas, nasceram estéreis (não se podiam reproduzir) e mais susceptíveis a doenças. Por este motivo, um dos primeiros passos dados pelo grupo de investigação foi tentar encontrar um macho e adicioná-lo ao grupo de fêmeas identificado anteriormente. Felizmente, foi encontrado um macho na reserva do Luando, que foi então transportado para reproduzir com o grupo de fêmeas encontradas no Parque Nacional da Cangandala.
A primeira descoberta científica
A Palanca Negra Gigante foi descoberta e descrita cientificamente pela primeira vez no século XX, sendo classificada por Bocage como Hippotragus niger. O nome Variani foi acrescentado em homenagem ao explorador britânico Frank Varian, que apresentou exemplares (espécimes) para então categorizar a palanca negra gigante como uma subespécie nova e única do território angolano. Por isso, cientificamente foi chamada de Hippotragus niger variani.
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Artiodactyla
Família: Bovidae
Subfamília: Hippotragrini
Género: Hippotragus
Espécie: Hippotragus niger
Subespécie: H. niger variani
Os estudos da filogenia molecular, com comparações de DNA mitocondrial forneceram evidências que o antílope angolano que se encontra isolado, constitui um grupo monofilético (quer dizer um grupo de espécies que compartilham um ancestral comum) distinto, que se separou das demais subespécies a mais de 200.000 anos atrás (Pitra et.al., 2006).
Distribuição geográfica e habitat
A Palanca Negra Gigante encontra-se no centro de Angola, limitada pela bacia do Alto Cuanza, dentro da Reserva Natural Integral do Luando e no Parque Nacional da Cangandala, ambos em Malanje. Segundo Pedro Vaz Pinto, no livro sobre a Biodiversidade em Angola (2019), a palanca negra é um antílope que habita particularmente em locais dominados por “miombo”, um tipo de mata e de savana mésica que ocorre em solos distróficos (solos ácidos e com baixa ou pouca fertilidade) dominados por árvores dos géneros “Brachystegia, Julbernardia e Isoberlinia”.
Este grande antílope é considerado uma espécie ecótona, porque habita em uma área de transição ecológica, ou seja, onde ocorre o contacto de dois ecossistemas diferentes. O seu habitat ideal são as savanas com a presença de “anharas” que é um tipo de savana infestada por térmitas e coberta por vegetação, encontrado tanto na Reserva Natural Integral do Luando (RNIL), como no Parque Nacional da Cangandala (PNC).
Ecologia
As palancas são animais muito fiéis ao seu território, que raramente realizam migrações. Alimentam-se maioritariamente de plantas, predominantemente gramíneas como Brachiaria, Digitaria, Panicum ou Setaria spp, comendo apenas a parte exterior e tenra das plantas. Porém, consomem também algumas folhagens de árvores e arbustos, como Diplorhynchus, Condylocarpon, consideradas como as suas preferidas. Pedro Vaz Pinto (2019) afirma que a Palanca Negra Gigante as vezes recorre à geofagia, que é o acto de comer terra, (no caso específico da palanca, a terra de locais escavados por térmitas), para obtenção de nutrientes e minerais que nem sempre conseguem obter, particularmente na época mais seca e com pouca vegetação.
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Gostei. Fui caçador por necessidade...matei palancas mas nunca negras.
ResponderEliminarDeixei de caçar quando me pareceu ver uma lágrima cair na última Palanca que abati.