terça-feira, 25 de julho de 2017

UMA GUERRA JUSTA


50 anos da intervenção portuguesa no Biafra (1967-1970)
Foi o conflito africano que maior sulco deixou na memória de muitos ocidentais, pois terá sido a primeira grande desilusão para quantos haviam aclamado o surto de independências no início da década de 1960, começadas com o aceno eufórico de um futuro promissor e terminadas em brutais ditaduras, guerras civis e matanças que infelizmente ainda hoje projectam uma sombra sobre o continente negro. Antes do colapso do Estado na Libéria, na Costa do Marfim, na República Centro Africana, no Zaire e na Somália, das intermináveis guerras em Moçambique, Angola, Sudão e Chade, o Biafra ficou na lembrança de uma geração como a abertura das portas do inferno e a revelação do que de pior pode a insensatez humana provocar.
Os antecedentes da guerra:
Tudo começou em meados na década de sessenta na Nigéria, esse colosso que fora colónia britânica entre 1860 e 1960. Desenhada para a independência como uma república federal, com o poder partilhado pelos três principais grupos – os Hausa muçulmanos no norte, os Yoruba sincréticos no oeste, e os Igbos católicos no sudeste – a Nigéria viu esse equilíbrio romper-se subitamente em 1965, quando as forças armadas tomaram o poder em Lagos e desencadearam um processo de centralização visando retirar competências aos governos regionais. As populações católicas Igbo, então a elite social do país, foram expostas a brutais massacres no norte e oeste, chacinas que provocaram dezenas de milhares de vítimas e obrigaram ao êxodo de dois milhões de pessoas em direcção às suas terras de origem. Em finais de Maio de 1967, o coronel Ojukwu, Igbo descendente de uma das mais influentes famílias da elite católica, temendo que a violência anti-católica redundasse em genocídio generalizado, anunciou a secessão do sudeste e declarou unilateralmente a independência da República do Biafra.
A guerra:
Para prevenir um ataque de grande envergadura, o novo exército biafrense, mal armado mas comandado pelos melhores oficiais do antigo exército federal, tomou a iniciativa de lançar uma ofensiva em direcção à capital nigeriana, mas acabou por ser detido em Ore, a meio caminho de Lagos. Perante uma poderosa contra-ofensiva do exército nigeriano, o Biafra iniciou preparativos para uma longa guerra defensiva de desgaste que obrigasse a comunidade internacional a mediar o conflito e levasse o governo nigeriano a reconhecer a independência do novo Estado. A desproporção de forças era enorme, agravada pelo facto de a Nigéria, enquanto maior produtora africana de ramas petrolíferas, poder angariar meios, crédito e a cumplicidade de poderosas companhias multinacionais, mas igualmente por ter as melhores relações com o Bloco de Leste. Assim, desde o início daquela guerra, o governo nigeriano recebeu o apoio da Grã-Bretanha, dos Estados Unidos e da URSS. Os Mig’s da força aérea de Lagos lançaram desde as primeiras semanas uma campanha de terror sobre o Biafra, lançando indiscriminadamente bombas de napalm, metralhando colunas de retirantes e destruindo todas as infraestruturas vitais em território biafrense.
A intervenção luso-francesa:
Em Paris, após muito instado pelos círculos africanistas do Eliseu, De Gaulle decidiu-se por uma discreta ajuda ao Biafra, conquanto a mesma não fosse directamente prestada pelo governo francês, mas por empresários agindo a título pessoal. A timidez francesa foi contrariada pelo governo de Lisboa. Não fosse a rápida decisão portuguesa, a nova república do Biafra não teria resistido à contra-ofensiva nigeriana de Outubro de 1967. Deu-se início a uma ininterrupta ponte aérea. Os aviões da TAP abasteciam-se de armas em Malta, compradas um pouco por todo o mundo a negociantes de armas, e regressavam a Lisboa, onde a carga era transferida para aeronaves da Força Aérea Portuguesa e expedidas para São Tomé. Do arquipélago português, aviões DC-3 levantavam voo ao cair da noite, furtando-se aos caças soviéticos e aterravam, por fim, em improvisadas pistas de terra batida nos confins do Biafra, descarregando armamento, víveres, medicamentos, médicos, enfermeiros e jornalistas ocidentais.
A situação foi-se agravando para a causa biafrense. Em finais de 1967, o exército nigeriano conseguiu cortar o acesso ao mar pelo Biafra, impedindo que a ajuda ao novo Estado fosse prestada por mar. O Biafra transformara-se num Estado encravado, pelo que o contacto com o mundo exterior só se poderia doravante manter por via aérea. Lisboa facultou todos os meios de que podia dispor – telecomunicações, munições, medicamentos e até emissão de moeda, a Libra do Biafra, impressa na capital portuguesa – mas com o agravamento da situação militar, Portugal passou a trabalhar intimamente com empresas de recrutamento mercenários (suecos, franceses, belgas, alemães). Finalmente, até a débil força-aérea do Biafra, comandada por um aventureiro sueco (o barão von Rosen) passou a contar com pilotos portugueses.
O genocídio e o resgate das crianças biafrenses:
A partir de meados de 1969, a guerra levada ao Biafra pelo exército nigeriano passou a ser de extermínio. Aos olhos do mundo chegaram as imagens terríficas de um povo condenado à morte pela fome e por sistemáticos massacres, mas que teimava em resistir e reclamava o direito a governar-se segundo as suas tradições e instituições. Foi graças à denúncia dessas inenarráveis atrocidades, conseguida graças a Portugal, que as instituições internacionais e a opinião pública ocidental despertaram para a necessidade de prestar apoio humanitário em larga escala aos Igbos. Portugal montou a sua própria ponte-aérea, retirando do Biafra centenas de crianças e acolhendo-as com todo o carinho em São Tomé. Ali permeneceram, alimentadas, vestidas, medicadas e amparadas até 1970, quando, exangue, o Biafra capitulou perante a força nigeriana. O acolhimento das crianças do Biafra em solo português foi, talvez, a mais bela demonstração do compromisso de lealdade que Portugal exibiu perante o Biafra, essa república efémera condenada ao fracasso.
MCB em Nova Portugalidade FB

terça-feira, 18 de julho de 2017

O VELHO MAXIMBOMBO DA NOVA LUANDA.


A primeira crónica que dei aos olhos do público mais vasto e desconhecido saiu em 1974 e falava de Luanda e do seu meio de transporte colectivo por excelência, o maximbombo.
Quando conquistámos a nossa Independência, li as estórias “Luuanda”, do Luandino Vieira e ali encontrei o maximbombo outra vez rolando naquelas belas páginas saídas da pena do nosso prémio Camões auto-recusado. Um dia deparei com os “100 Poemas” do Mário António e vi que o maximbombo era tão ilustre personagem de Luanda que até a poesia lhe prestava homenagem. 
O poema intitula-se “Linha quatro” e fala assim estes versos: “No largo da Mutamba às seis e meia/ carros pra cima carros pra baixo/ gente subindo gente descendo/ esperarei.(…)// (Gente operária na nossa frente…)// No maximbombo da linha quatro/ se sentam juntos.(…)”
Nesse poema se reúnem as palavras que até hoje enchem a boca de quem trabalha em Luanda, nesse trabalhar tomado em sentido lato: a Mutamba e o maximbombo. Ontem falei da Mutamba. Hoje cumpre-me falar um coxito do nosso maximbombo, signo perdido e cujo significante reentrou hoje no conceito de autocarro. 
Os dicionários online são unânimes em atribuir a origem do termo à expressão inglesa “machine pump” (bomba mecânica). 
Mas não sei ao certo se foram os moçambicanos que primeiro puseram entre os dentes e a língua a expressão “maximbombo”, palavra
bonita e comprida, para designar o autocarro de transportes públicos. O que é certo é que quando comecei a ir para o liceu, na cidade grande, apanhava todos os dias o maximbombo da linha da Cuca que me desaguava no Kinaxixi. Jamais apanhei um autocarro, eu apanhei sempre o maximbombo e foi o maximbombo que ainda apanhei depois do 11 de Novembro de 1975, até que vieram os Ícarus, se não estou em erro da Jugoslávia, bué compridos e até articulados e, quando dei conta, já toda a gente só apanhava o autocarro da Cuca, o autocarro de Viana, o autocarro do Cazenga.
Só que eu gosto mesmo é do maximbombo. Não estou velho, nada disso. O maximbombo, apesar de ter saído da barriga inglesa, é uma invenção (o Luandino chama-lhe “recriação”) nossa, é mais original que autocarro, eu amo o maximbombo, é nacional e é bom, assim à maneira da fala televisionada do André Mingas. 
Então foi com esse gosto a maximbombo na língua que ontem, sábado à tarde, na hora de ir para a banca do Jornal de Angola, estava eu na paragem do candongueiro, ali no Zé Pirão, quando me pára frente aos dedos dos pés um maximbombo todo catita da TCUL (passe a publicidade). O cidadão que encontrei lá na paragem entrou e eu segui atrás. Paguei 50 kwanzas e recebi o troco em notinhas de cinco kwanzas, equivalentes a 20 kwanzas. Há quanto tempo eu já não pago um produto por um preço tão popular! Observei o maximbombo, com os seus bancos verdes e amarelos, o cobrador atrás da sua portinhola presa por um fiozinho de cobre, o chão a contrastar com a tabuleta no cimo do pára brisas, a nos pedir para conservarmos o meio de transporte de toda a gente e, nesse interin, o velho poema “Linha Quatro” hominiziou-se ali, intelectual-proletário sentado junto com os que caboucam sem preconceitos o futuro desta cidade.
Enquanto assim ponderava sobre o nosso tempo e as nossas coisas bonitas banalizadas pelo vento da Globalização, voltei a sair na minha querida Mutamba, desta vez bem no término do lado que dá para o Palácio da Tia Chica do Espírito Santo e no concerto óptico-verbal das pessoas que enchiam o largo, senti-me mais uma raiz desta cidade feita sobre as rodas do maximbombo, o velho maximbombo de uma nova Luanda.


Por José Luís Mendonça|
Em 
Angola Ministry of Culture Pictures& Events 

quarta-feira, 14 de junho de 2017

UM POUCO DA HISTÓRIA DE UM POVO OPRIMIDO



Quando Kundi, o sucessor de Lala Maku, envelheceu, a harmonia entre os povos lundas estremeceu. Quem seria o sucessor do velho Kundi? Um dos rapazes? – O Tchinguri ou o Tchinhama? - Ou a menina, Lweji, a mais jovem filha da segunda esposa? 

Dizem que os irmãos não se entendiam. Tchinguri era o mais afoito e Tchinhama o mais ponderado. Porém, numa tarde, os dois irmãos irromperam embriagados de vinho de palma pela tchota (palácio) do pai e maltrataram-no, ambos querendo sucedê-lo. O ancião, meio cego, no seu leito de morte, amaldiçoou-os e logo ali avisou que nenhum deles seria o seu sucessor.
Chamou os macotas (anciãos) e informou da sua decisão de entregar o poder a LWEJI, meia-irmã de Tchinguri e Tchinhama. 
Iria agora começar na Mussumba (povoação) o Império Muatyânvua, constituído que foi o casamento de Lweji, a nova rainha lunda, com o caçador baluba Tchibinga Ilunga. 
Várias são as versões contadas sobre este IMPÉRIO. Das várias conversas que tivemos com alguns mais-velhos da Lunda-Norte, sem querer meter a foice em seara alheia, apelamos aos historiadores que nos deixem romancear mais uma vez esta maravilhosa epopeia. Assim que o velho Kundi morreu, Lweji recebeu o lukano (pulseira feita com tendões humanos que simboliza o poder) e de imediato é conduzida à chefia dos Lundas. 
Lweji, digo a bela Lweji (Lua em português), já que se diz que era uma jovem de extraordinária beleza, mas também munida de muita inteligência, foi governando os Lundas com a prestimosa ajuda dos mais velhos, os macotas, até que … um belo dia, vindo do Leste, apareceu Tchibinda Ilunga, um caçador da etnia luba, também de sangue nobre, neto do fundador do segundo império luba, Mutondo Mukulo (árvore velha) que com as suas gentes desafiou os lundas caçando nos seus domínios. 
Tchibinda Ilunga (tchibinda significa caçador) não trazia mulheres no seu séquito. Somente o acompanhavam homens, caçadores e guerreiros, e ele era, para além de destemido, conhecedor da pólvora e da arma de fogo da altura – o canhangulo (arma de carregar pelo cano), que iria revolucionar para sempre aqueles povos, ao contrário dos lundas que ainda estavam no tempo da zagaia (arco e flecha), que embora conhecedores do ferro, ainda desconheciam a pólvora. Lweji apaixonou-se de imediato pelo corajoso caçador com quem se casou, contra o que lhe era permitido, já que o seu povo praticava a endogamia, que a obrigava a contrair matrimónio unicamente dentro da sua tribo. Para agravar ainda mais a situação, entregou-lhe o lukano, a pulseira dos antepassados que representa o poder. 
É Lweji, mais uma vez, quem sai a ganhar e expulsa os dois irmãos da tribo, embora se diga também que os próprios a terão abandonado de sua própria iniciativa, depois desta ter pedido a Tchibinda que lhes ensinasse os seus conhecimentos sobre a arma e a pólvora. Tchinguri, o primogénito, e Tchinhama, já de si agastados com o casamento com o estrangeiro Ilunga, com a entrega do lukano viraram-se contra a irmã. Nada conseguiram, porém, já que o poder dos guerreiros lubas e dos canhangulos de Tchibinda suplantavam o arco e a flecha usados pelos lundas. 
Tchinhama, o mais ponderado, por sua vez, acompanhado da sua tia Anguina Cambamba e pelo chefe guerreiro Andumba Uá Tembué, subiram o rio Cuango até às suas cabeceiras onde se fixaram, formando as tribos kiokas ou tchokwes, que são os povos que, descontentes com o casamento de Lwéji com o caçador Luba Tchibinda Ilunga, se separaram dos lundas, seguindo o caminho dos desavindos irmãos. Tchinguri, o mais agressivo e afoito, rumou para ocidente e estabelece-se às portas de Luanda, tendo sido recebido pelo governador português D. Manuel Pereira Forjaz, com quem fez aliança ajudando-o a combater os povos do interior, e de quem recebeu em troca o título de Jaga (Grande chefe) e também a oferta de terras na região de Ambaka e do Golungo Alto. Acabou, finalmente, por se estabelecer na Baixa do Cassanje, fundando o jagado dos bangalas. Entretanto, os vários Muatas que acompanharam Tchinhama e Andumba Uá Tembué foram-se separando para formarem estados independentes. 
Entretanto, num continente diferente do dele, numa cidade chamada Berlim (de que ele nunca tinha ouvido falar), reunidos á volta de uma mesa, os chefes de outros reinos, traçavam a lápis, a divisão do seu continente, com a total indiferença pelo que ele naquele momento, pretendia transmitir aos filhos. Os lundas, que ficaram com Lweji e Tchibinda, defenderam a sua rainha, e os partidários de Tchinguri e Tchinhama terão certamente a sua versão sobre este caso, que remonta ao início do século XVII. Decorria do ano de 1885, em que um macota (ancião), reunido com seus filhos, lhes contava e transmitia, orgulhoso, a história, cultura e tradições do Povo e Reino a que pertenciam, ciente de estar a cumprir a sua obrigação. Igualmente desconhecia que nas linhas traçadas, uma delas passava no meio da reunião que o macota efectuava com os filhos e que determinaria, que ele pertenceria ao Reino de Portugal (cujo território designaram por Angola) e os filhos pertenceriam ao Rei da Bélgica, cuja quinta privada o mesmo designaria por Zaire. 
O que ele desconhecia era que naquele preciso momento, numa cidade chamada Luanda, reunidos á volta de uma mesa, os chefes africanos, vindos de outros reinos, continuavam a opressão e exploração do seu reino, com a total indiferença pelo que ele naquele momento, pretendia transmitir aos bisnetos. E assim decorreu, até aos anos 50-60, do seculo XX, aquilo que o Mundo designou por Colonialismo dos Povos Europeus sobre os Povos Africanos, que por mais esforço que fizessem, não conseguiam separar o ancião dos filhos. 
Numa luta justa, dos Povos Africanos perante a agressão do Colonialismo Europeu, repõem a sua independência. E o velho ancião, reunido com os seus bisnetos, orgulhoso, lhes transmite a história, cultura e tradições do Povo e Reino a que pertencem, ciente de estar a cumprir a sua obrigação.


quinta-feira, 6 de abril de 2017

A CONQUISTA DO OESTE AMERICANO Nº.29


BANDIDOS



JESS JAMES – 1847 - 1882
E O IRMÃO FRANK JAMES

Jess Woodsen James, nasceu em 5 de Setembro de 1847 e faleceu em 3 de Abril de 1882. Foi um fora-da-lei muito conhecido no Velho Oeste pelos assaltos a comboios, e considerado por muitos historiadores como um dos melhores a utilizar o revólver. Conta-se que o seu primeiro assassinato tivesse ocorrido quando tinha 14 anos e, ao longo da sua vida, Jesse teria morto cerca de 20 pessoas.
Jesse nasceu no Condado de Clay, Missouri, na cidade de Kearney. Seu pai, Robert S. James, foi um agricultor, comerciante de cânhamo e pastor da igreja Batista, no Kentucky. Mudou-se para Missouri após ter casado, comprou vários hectares de terra e seis escravos negros. Na altura da célebre corrida ao ouro, partiu para a Califórnia para pregar aos mineiros, espalhando a sua religião, mas acabou por morrer nesse Estado do Pacífico. Jesse, seu filho, tinha apenas três anos à data do seu falecimento.
CASA DOS PAIS DE JESSE E FRANK JAMES EM KEARNEY - MISSOURI

A mãe de Jesse, Zerelda James, voltou a casar. Inicialmente, com Benjamin Simms, e depois com o médico Reuben Samuel. Após o seu último casamento em 1855, Samuel fixou-se no lar dos James. Jesse, teve dois irmãos – Frank, mais velho e, a irmã Susan. Do casamento de Zerelda James com Reuben Samuel nasceram mais quatro filhos – meios-irmãos de Jesse. Nesta altura, Zerelda e Reuben Samuel compraram sete escravos e dedicaram-se à plantação de tabaco nas suas terras do Missouri.
Com a aproximação da Guerra Civil Americana (Guerra da Secessão), entre 1861 e 1865, a situação tornou-se difícil para o Estado do Missouri. Este Estado ficava na fronteira dos lados beligerantes e tinha características tanto do Norte como do Sul, mas 75% da população era do Sul. A escravatura do Condado de Clay era maior do que das outras áreas do Estado. Os escravos eram 10% da população do Missouri, mas em Clay, a percentagem subia para 25%. O Condado de Clay, onde viviam os James, tornou-se tumultuoso após a autorização da lei Kansas-Nebraska em 1854, quando a questão da escravatura irrompeu no vizinho território do Kansas. Começaram os confrontos entre as milícias pró e contra a escravatura.
JESSE E FRANK JAMES - 1872
A Guerra Civil iria mudar a vida de Jesse James. A guerrilha começou no Estado logo após uma série de campanhas militares e batalhas do exército regular, em 1861. Os Separatistas confrontaram-se com as milícias da União, cometendo-se atrocidades em ambas as partes. As guerrilhas assassinaram civis da União, executaram prisioneiros e escalpelaram os mortos. As forças da União declararam lei marcial e invadiram lares, prenderam civis, executaram e expulsaram simpatizantes dos Confederados.
A família James-Samuel ficou do lado dos Confederados. Frank James, irmão de Jesse, alistou-se no grupo dos Separatistas, a Missouri State Guard, e combateu na batalha de Wilson´s Creek.
Voltando para casa em 1863, foi denunciado como membro da guerrilha que operava no Condado de Clay. Em Maio deste mesmo ano de 1863, uma milícia da União invadiu a casa dos James-Samuel à procura do grupo de Frank. Torturaram o padrasto Reuben Samuel e tentaram enforcá-lo numa árvore, tendo sido salvo por Jesse que o levou para o campo. Constou-se que Frank teria fugido e que se juntara aos guerrilheiros chefiados por William C. Quantrill.
WILLIAM C. QUANDRILL, JESSE JAMES WILLIAM e T. ANDERSON

Durante o inverno de 1863/1864, Frank seguiu com Quantrill para o Texas, e voltou na Primavera acompanhado de um pelotão chefiado por Fletch Taylor. Quando retornou ao Condado de Clay, Jesse tinha 16 anos e entrou para o grupo de Taylor com seu irmão Frank. No verão de 1864, Taylor foi severamente ferido, perdendo o braço direito atingido por um canhão. Os irmãos James juntaram-se ao grupo dos Separatistas chefiados por William T. Anderson, o “sanguinário” Bill Anderson.
Nessa época houve um relato do delegado de Clay, que dizia que Frank e Jesse tinham tomado parte do massacre de Centralia (Missouri) em Setembro, quando 22 soldados desarmados da União foram mortos. Uma emboscada das guerrilhas derrotou e perseguiu um regimento comandado pelo Major A.V.E. Johnson, matando quem tentou render-se. Frank seria identificado mais tarde como sendo o membro do bando que deu o tiro fatal no Major Johnson.
Como resultado das actividades dos irmãos James, a sua família no Condado de Clay foi forçada ao exílio pelas autoridades militares da União com ordens para se mudarem para Sul, além das linhas da União. Atravessaram a fronteira até ao Nebraska. Anderson foi morto numa emboscada em Outubro e os James escaparam em diferentes direcções. Frank seguiu com Quantrill para o Kentucky, James foi para o Texas sob o comando de um dos tenentes de Anderson – Archie Clement.
Ao tentar voltar ao Missouri na primavera, teve que se render à cavalaria da União, próximo de Lexington.
Após a Guerra Civil, o Estado do Missouri ficou convulsionado. O conflito levou que a população se dividisse em três facções antagonistas: Os antiescravagistas radicais da União, que formariam o partido Republicano, os pró-escravagistas da União, que formariam o partido Democrata, e os Separatistas.
ZERELDA MIMMS
Jesse, ferido, foi para casa de um tio, onde foi tratado pela prima, Zerelda “Zee” Mimms, que tinha o mesmo nome da mãe. Jesse e Mimms, após prolongado namoro de 9 anos, casaram.
O comandante de Jesse, Archie Clement, mantinha o seu grupo em acção. Durante o período de paz roubaram o primeiro Banco, o Savings Association do Condado de Clay em Liberty, a 13 de Fevereiro de 1866. O Banco era propriedade de um Republicano oficial da milícia. Um inocente, William Jewel, foi morto a tiro na rua, durante a fuga dos assaltantes.
Ainda se está por provar na participação deste assalto com Jesse e Frank James porém, na época, foram citados como tendo sido os líderes do assalto.   Archie Clement continuou a praticar crimes e ataques a alvos ligados aos governos Republicanos. Ocupara a cidade de Lexington, Missouri, no dia da eleição de 1866, quando foi morto por tiros da milícia.
Os sobreviventes da quadrilha de Clement continuaram a roubar Bancos durante os dois anos seguintes. Em 23 de Maio de 1867 assaltaram um Banco em Richmond, Missouri, no qual foi morto um Major e outros dois, mas duvida-se da participação de Jesse.
Em 1868, Frank e Jesse James juntam-se ao grupo de Cole Younger e assaltam o Banco de Russelville, no Kentucky.
COLE, JIM, JOHN e BOB

A fama de Jesse acentuou-se em Dezembro de 1869, quando ele e o irmão Frank assaltaram o Savings Association em Gallatin, Missouri. Jesse, atirou e matou o bancário capitão John Sheets, confundindo-o com Samuel P- Cox, o oficial da milícia que tinha morto William T. Anderson durante a Guerra Civil. Pela primeira vez, os nomes dos James aparecem nos jornais.
THOMAS T. CRITTENDEN
Este assalto tornou-os conhecidos pelos maiores fora-da-lei. O governador de Missouri, Thomas T. Crittenden colocou uma recompensa pela captura dos irmãos. Nesta ofensiva, o editor e fundador do Kansas City Times, John Newman Edwards, aliou-se aos assaltantes contra a proposta da recompensa.
Edwards, ex simpatizante dos Confederados, estava em campanha para retomar o poder dos Separatistas no Missouri.
Seis meses após o roubo de Gallatin, Edwards publicou a primeira de muitas cartas de Jesse James, que alegava inocência. As cartas foram aumentando o tom político e denunciavam os Republicanos.
Junto aos editoriais de Edwards, as cartas transformaram os James num símbolo do desafio Confederado contra a Reconstrução defendida pelos Legalistas. Graças a Edwards, os assaltantes ganharam a fama de “Robin Hood”.
Os irmãos James juntaram-se ao grupo de Cole Younger e seus irmãos John, Jim e Bob, além de Clell Miller e outros ex-Confederados, e formaram aquele que ficou conhecido como o Grupo dos James-Younger. Jesse James, cabeça de grupo, espalhou uma onda de assaltos pelos Bancos de Iowa até ao Texas, e do Kansas até Virgínia Ocidental. Além de Bancos, assaltaram escritórios de diligências e uma feira em Kansas, no Missouri. Em 21 de Julho de 1873 roubaram um comboio vindo de Chicago, descarrilando-o em Adair, no Iowa. O roubo rendeu à quadrilha cerca de três mil dólares. Aqui, ficaram conhecidos como assaltantes de comboios.
ALLAN PINKERTON
Em 1874, a Adams Express Company contratou os serviços à Agência de detectives Pinkerton a fim de perseguirem o Grupo de James-Younger. Joseph Whicher, um agente da Pinkerton, foi enviado para se infiltrar na fazenda Zerelda Samuel, mas acabou por ser morto. Dois outros, Louis J. Lull e John Boyle, não tiveram melhor sorte. Lull foi morto por dois dos Youngers em 17 de Março de 1874, mas matou John Younger antes de morrer. Edwin Daniels, auxiliar do xerife, morreu também no tiroteio.
Allan Pinkerton, o fundador e chefe da Agência, tomou o caso como pessoal e contactou Legalistas que moravam próximos do sítio dos James. Atacaram na noite de 25 de Janeiro de 1875. Com o incêndio iniciado pelos detectives, houve uma explosão na qual morreria o jovem meio-irmão dos James, de nome Archie (em honra a Archie Clement) e mutilaram a mãe Zerelda Samuel, que perdeu um braço. O sangrento acto ajudou Edwards a tornar Jesse James como figura simpática do público. Tentou-se uma amnistia aos irmãos James e Younger e reduzir o limite dos prémios oferecidos pelo governador.
Jesse e a sua prima Zee tiveram dois filhos: Jesse E. James (nascido em 1875) e Mary James Barr (em 1879). Os gémeos Gould e Montgomery James (nascidos em 1878) morreram durante a infância. Jesse Jr. tornou-se advogado e teve uma carreira respeitada sendo membro da bancada de Kansas City, Missouri.
Em 7 de Setembro de 1876 o grupo James-Younger tentou o maior golpe de sempre ao atacar o Firsty National Bank em Northfield, Minnesota. Após o roubo, apenas Frank e Jesse James conseguiram escapar. Cole e Bob Younger contaram que tinham escolhido aquele Banco por causa da sua ligação com a União do político Adelbert Ames, o governador do Mississipi durante a Reconstrução, e Benjamin Butler, parente de Ames e um comandante da União que ocupara New Orleans, Louisiana. Ames, era fundador do Banco, mas Butler não influenciava na direcção.
             GEN. ADELBERT AMES e BENJAMIM FRANKLIN BUTLER

O grupo tinha-se dividido em dois grupos. Três homens entraram no Banco, dois guardavam a porta pelo lado de fora e três ficaram próximos do prédio. O tesoureiro Joseph Lee Heywood recusou-se a abrir o cofre, e foi atacado. O assistente Alonzo Enos Bunker foi ferido quando correu para a porta. Com suspeitas dos homens na porta do Banco, os cidadãos deram o alarme. Os cinco bandidos do lado de fora dispararam para o ar para desimpedir a rua, mas receberam tiros de volta. Dois bandidos foram mortos e o resto foi ferido. Os de dentro do Banco, tentaram fugir. Na fuga, atiraram à cabeça de Heywod. O grupo fugiu de Northfield, com dois companheiros mortos e duas vítimas inocentes (Heywood e um imigrante sueco chamado Nicholas Gustafson). Mesmo com intensa perseguição, os irmãos James conseguiram fugir para Missouri. Os Youngers e Charlie Pitts, foram descobertos. Pitts morreu e todos os Youngers foram presos. O grupo James-Younger foi destruído, com apenas Frank e Jesse James ainda livres.

Em 1876, Jesse e Frank James foram até Nashville, Tennessee, usando os nomes de Thomas Howard e B.J. Woodson. Em 1879 foi formado outro grupo, que atacou um comboio em Glendale, Missouri, em 8 de Outubro desse ano. Os roubos começaram e incluíram o pagamento a trabalhadores de um canal em Muscle Shoals, no Alabama, além de mais dois comboios assaltados. O novo grupo não tinha a experiência em assaltos como o grupo antigo e muitos foram presos, deixando James em estado crítico. Desanimado, assassinou membros do grupo. Os irmãos James acabaram de regressar a Missouri. Em Dezembro, Jesse alugou uma casa em Saint Joseph, Missouri, não muito longe do local onde nasceu e cresceu. Frank, decidiu mudar-se para Virgínia.
Com o grupo debandado por prisões, mortes e desistências, Jesse achou que só restavam dois homens em quem podia confiar – os irmãos Robert e Charley Ford. Charley já conhecia Jesse, mas Bob era um recém-recrutado. Jesse levou-os para sua companhia. Houve rumores de que Jesse tinha tido um caso com uma Irmã dos Ford, Martha Bolton. Jesse não sabia que Bob Ford havia secretamente negociado com Thomas Theodore Crittenden, o governador do Missouri, para entregá-lo. Crittenden tinha como prioridade a captura dos irmãos James. Impedido pela lei de oferecer uma boa recompensa, conseguiu que a Companhia dos Caminhos de Ferro oferecesse uma recompensa de 5.000 dólares para cada um dos irmãos. O próprio presidente Ulysses S. Grant também desejava ver os irmãos presos.
ROBERT FORD
Em 3 de Abril de 1882, após tomar o café da manhã, os Ford e Jesse James faziam os preparativos para outro roubo e cuidavam dos cavalos. Jesse estava sem o seu casaco vestido e sem armas e foi descrito a sacudir o pó de um quadro subindo numa cadeira. Robert Ford aproveitou a oportunidade e atingiu Jesse na cabeça. Diz a lenda que Jesse James já vinha com pensamentos suicidas e que no dia da sua morte deixou as armas que nunca tirava da cintura em cima da mesa, dando as costas aos Ford para tirar a poeira de um quadro, como quem sabe que vai ser traído, preferindo deixar que o matassem para não ter mais duas mortes na conta.
Há relatos que informam que Jesse viu através do reflexo do quadro quando apontaram a arma na sua direcção.
O assassinato de Jesse James teve grande repercussão. Os Ford não tentaram esconder-se. Robert Ford desejava a recompensa. Uma multidão dirigiu-se a casa em St. Joseph para ver o corpo do assaltante, enquanto os irmãos Ford se rendiam às autoridades. Os irmãos Ford foram sentenciados à forca, mas duas horas antes da execução, receberam o perdão do governador Crittenden.
As implicações da conspiração do chefe do executivo do Missouri para matar um cidadão, criaram novas lendas sobre Jesse James.
Os Ford receberam uma pequena recompensa e fugiram do Missouri. Começaram uma viagem teatral pelo país, onde reencenaram a morte de Jesse James.
Charley Ford suicidou-se a 6 de Maio de 1884 em Richmond, Missouri, após ser acometido de tuberculose e tomar morfina. Robert Ford foi assassinado por um pistoleiro em Creed, Colorado, em 8 de Junho de 1892. O assassino, Edward Capehart O´Kelley, foi sentenciado à prisão perpétua. A sentença de O´Kelley foi comutada por causa da sua saúde e foi solto em 3 de Outubro de 1902.
A viúva de Jesse James morreu sozinha e pobre. Seu corpo foi enterrado em Kearney, Missouri, e foi exumado em 1995 para um teste de DNA.
A transição de agricultores para famosos fora-da-lei deveu-se sobretudo à perda do seu rancho para uma escrupulosa Companhia Ferroviária que queria conquistar o Oeste através dos caminhos-de-ferro intercontinentais, passando por cima dos fazendeiros da região a qualquer custo.
Jesse, foi sepultado em Mount Olivet Cemetery, em Kearney.

Alexander Franklin James, irmão mais velho de Jesse James, nasceu em 10 de Janeiro de 1843 e faleceu em 18 de Fevereiro de 1915, com 72 anos de idade. Depois de ter deixado o irmão Jesse, Frank foi contratado por Aaron Mittenthal para trabalhar em Dallas num armazém de tecidos. Cinco meses após a morte de Jesse, partiu de comboio para Jefferson City, Missouri, onde se encontrou com o governador Crittenden e lhe entregou pessoalmente as armas, dizendo: “Fui perseguido durante 21 anos tendo vivido sempre montado no meu cavalo e sem ter tido um único dia de sossego. Foi um tempo de eterna vigília. Governador, nunca deixei que algum homem me tocasse nas minhas armas desde 1861”.
Conta-se que Frank se entregou com a condição de que nunca seria extraditado para Northfield, Minnesota. Foi julgado unicamente por ter cometido dois assaltos (Gallatin e em Winston, Missouri).
Durante os seus mais 30 anos de vida, Frank teve vários empregos: vendedor de sapatos, segurança num teatro em St. Louis, operador de telégrafo em St. Joseph e apostador de cavalos. Frank, na companhia do seu velho aliado bandido, Cole Younger, já livre da prisão, viajou pelo país em digressão relatando as façanhas que o tornaram famoso. De Sherman, Texas, onde residia, voltou à fazenda James, no Condado de Clay, onde se dedicou a dar autógrafos, falecendo na sua terra natal em 1915.
Frank, foi sepultado em Hill Park Cemetery, em Independence.


Até breve                                                                                   
O amigo



domingo, 5 de fevereiro de 2017

A CONQUISTA DO OESTE AMERICANO Nº.28
















XERIFES


BAT MASTERSON – 1853 - 1921

William Barclay “Bat” Masterson, nasceu em 27 de Novembro de 1853 e faleceu em 25 de Outubro de 1921. Foi caçador de búfalos, batedor no exército, jogador e apostador, delegado, Marshal e colunista no jornal “New York Morning Telegraph”. Teve dois irmãos que foram xerifes; James e Ed Masterson, e foi bisavô de Robert Ballard, o cientista marinho que pesquisou os restos do navio naufragado –  Titanic.Conta-se que o apelido de “Bat” (morcego), surgiu quando um destes animais sibilou pela igreja enquanto o  baptizavam. 
Nasceu em Henryville, no Quebec, Canadá, com o nome de Bartholomew Masterson. Posteriormente, alterou o seu nome para “William Barclay Masterson”. 















O pai, Thomas Masterson, nasceu no Canadá, com proveniência duma família irlandesa, e a sua mãe, Catherine McGurk, nasceu na Irlanda. Todos tiveram estadia em fazendas no Quebec, passando por Nova York e Illinois, até que por fim se fixaram em Wichita, no Kansas. Nos términos da sua adolescência, ele e os seus irmãos (Ed e Jim) deixaram o seio familiar para se tornarem caçadores de búfalos. Numa das suas deslocações, sem a participação dos irmãos, Bat interveio numa batalha contra os Comanches – Batalha de Adobe Walls, no Texas. Tratou-se dum ataque organizado pelas tribos vizinhas contra trinta caçadores de búfalos, onde se encontrava Bat Masterson, decorria o ano de 1874. A partir desta altura, e por algum tempo, auxiliou o exército Americano como batedor nas campanhas contra as tribos de índios Kiowas e Comanches. Depois, como xerife, participou num duelo em Sweetwater, no Texas, em 1876, com motivo numa mulher. Num salão de baile, o Sargento Corporal Melvim A. King atingiu mortalmente Mollie Brennman e feriu Bat Mastersen. Bat, atingido na bacia, ainda conseguiu disparar matando o soldado.













Em 1877, juntou-se aos seus irmãos em Dodge City, no Kansas. Jim era o xerife e, o seu irmão ED, o seu ajudante. Quando Bat Masterson chegou à cidade, gerou-se um conflito com o Marshal por causa de um cidadão que tinha sido detido. Bat foi preso e multado porém, a sua multa foi anulada pela Junta.
No percurso da sua vida, serviu como ajudante ao famoso xerife Wyatt Earp e, mais tarde, foi eleito xerife em Ford County, no Kansas. Tornou-se adversário na construção da linha férrea de Rio Grande, juntando-se aos seus adeptos de Santa Fé, no Colorado. Razões em dívidas por pagar por conta da Sociedade dos Caminhos de Ferro do Pacífico. 












Manteve-se como xerife em Ford County até 1879. Neste ano, o seu irmão ED era Marshal em Dodge City, onde fora morto num tiroteio. Foi atingido pelo vaqueiro Jack Wagner, que também ficara ferido. Bat Masterson, ao atravessar a rua em seu auxílio, disparou contra Wagner e contra o seu capataz, Alf Walker. Wagner viria a falecer no dia seguinte resultado das balas disparadas por ED e pelo Bat Masterson.
Nos anos sucessivos, Bat levou uma vida como apostador e jogador, movendo-se por várias cidades do Velho Oeste. Esteve com Wyatt Earp, em Tombstone, no Arizona, momentos antes do célebre tiroteio na cidade de Trinidad, no Colorado.
Em 1883 participou num conflito sangrento contra pistoleiros, conhecidos pela guerra de Dodge City. 












Em 1889 foi viver para Denver, no Colorado, onde se envolveu com Soapy Smith numas eleições tornadas escandalosas. Comprou o “Palace Variety Theater” e casou com a atriz Emma Walters em 21 de Novembro de 1891                             
Em 1892 geriu o “Denver Exchange Club”, em Creed, no Colorado e, seguiu para outras cidades movimentadas do Oeste, jogando, apostando e promovendo combates de boxe. Tornou-se colunista escrevendo artigos de desporto para o “George´s  Weekly”, jornal de Denver, e abriu um ginásio, “The Olimpia Athletic Club”, para a prática de boxe.
Apesar de Bat ter tido mais fama, o seu irmão James participou em mais duelos.
Em 1902, Bat Masterson abandonou o Oeste e fixou-se em Nova York onde foi preso por ter participado em jogos ilícitos.













O Presidente Theodore Roosevelt, por recomendação do seu amigo Alfred Henry Lewis, nomeou Masterson como ajudante de Marshal, num dos distritos de Nova York, sob as ordens de William Henkel. Roosevelt encontrou-se em várias ocasiões com Bat, estreitando a sua amizade com ele. Masterson dividiu a sua ocupação como jornalista e homem de lei durante o período compreendido entre 1908 e 1912.
Bat Masterson trabalhou como redator desportivo e editor, desde 1883 até à sua morte em 1921.
Morreu com 67 anos, em 1921, enquanto vivia e trabalhava em Nova York. Tombou de uma cadeira vitimado com um ataque cardíaco contraído pelo excesso de tabaco que sempre fumou, após ter redigido uma coluna final para o “New York Morning Telegraph”.
Foi sepultado no cemitério de Woodlawn, em Bronx, Nova York. O seu nome completo de William Barclay Masterson aparece gravado numa lápide de granito. 















Até breve                                                                                   
O amigo