quarta-feira, 14 de junho de 2017

UM POUCO DA HISTÓRIA DE UM POVO OPRIMIDO



Quando Kundi, o sucessor de Lala Maku, envelheceu, a harmonia entre os povos lundas estremeceu. Quem seria o sucessor do velho Kundi? Um dos rapazes? – O Tchinguri ou o Tchinhama? - Ou a menina, Lweji, a mais jovem filha da segunda esposa? 

Dizem que os irmãos não se entendiam. Tchinguri era o mais afoito e Tchinhama o mais ponderado. Porém, numa tarde, os dois irmãos irromperam embriagados de vinho de palma pela tchota (palácio) do pai e maltrataram-no, ambos querendo sucedê-lo. O ancião, meio cego, no seu leito de morte, amaldiçoou-os e logo ali avisou que nenhum deles seria o seu sucessor.
Chamou os macotas (anciãos) e informou da sua decisão de entregar o poder a LWEJI, meia-irmã de Tchinguri e Tchinhama. 
Iria agora começar na Mussumba (povoação) o Império Muatyânvua, constituído que foi o casamento de Lweji, a nova rainha lunda, com o caçador baluba Tchibinga Ilunga. 
Várias são as versões contadas sobre este IMPÉRIO. Das várias conversas que tivemos com alguns mais-velhos da Lunda-Norte, sem querer meter a foice em seara alheia, apelamos aos historiadores que nos deixem romancear mais uma vez esta maravilhosa epopeia. Assim que o velho Kundi morreu, Lweji recebeu o lukano (pulseira feita com tendões humanos que simboliza o poder) e de imediato é conduzida à chefia dos Lundas. 
Lweji, digo a bela Lweji (Lua em português), já que se diz que era uma jovem de extraordinária beleza, mas também munida de muita inteligência, foi governando os Lundas com a prestimosa ajuda dos mais velhos, os macotas, até que … um belo dia, vindo do Leste, apareceu Tchibinda Ilunga, um caçador da etnia luba, também de sangue nobre, neto do fundador do segundo império luba, Mutondo Mukulo (árvore velha) que com as suas gentes desafiou os lundas caçando nos seus domínios. 
Tchibinda Ilunga (tchibinda significa caçador) não trazia mulheres no seu séquito. Somente o acompanhavam homens, caçadores e guerreiros, e ele era, para além de destemido, conhecedor da pólvora e da arma de fogo da altura – o canhangulo (arma de carregar pelo cano), que iria revolucionar para sempre aqueles povos, ao contrário dos lundas que ainda estavam no tempo da zagaia (arco e flecha), que embora conhecedores do ferro, ainda desconheciam a pólvora. Lweji apaixonou-se de imediato pelo corajoso caçador com quem se casou, contra o que lhe era permitido, já que o seu povo praticava a endogamia, que a obrigava a contrair matrimónio unicamente dentro da sua tribo. Para agravar ainda mais a situação, entregou-lhe o lukano, a pulseira dos antepassados que representa o poder. 
É Lweji, mais uma vez, quem sai a ganhar e expulsa os dois irmãos da tribo, embora se diga também que os próprios a terão abandonado de sua própria iniciativa, depois desta ter pedido a Tchibinda que lhes ensinasse os seus conhecimentos sobre a arma e a pólvora. Tchinguri, o primogénito, e Tchinhama, já de si agastados com o casamento com o estrangeiro Ilunga, com a entrega do lukano viraram-se contra a irmã. Nada conseguiram, porém, já que o poder dos guerreiros lubas e dos canhangulos de Tchibinda suplantavam o arco e a flecha usados pelos lundas. 
Tchinhama, o mais ponderado, por sua vez, acompanhado da sua tia Anguina Cambamba e pelo chefe guerreiro Andumba Uá Tembué, subiram o rio Cuango até às suas cabeceiras onde se fixaram, formando as tribos kiokas ou tchokwes, que são os povos que, descontentes com o casamento de Lwéji com o caçador Luba Tchibinda Ilunga, se separaram dos lundas, seguindo o caminho dos desavindos irmãos. Tchinguri, o mais agressivo e afoito, rumou para ocidente e estabelece-se às portas de Luanda, tendo sido recebido pelo governador português D. Manuel Pereira Forjaz, com quem fez aliança ajudando-o a combater os povos do interior, e de quem recebeu em troca o título de Jaga (Grande chefe) e também a oferta de terras na região de Ambaka e do Golungo Alto. Acabou, finalmente, por se estabelecer na Baixa do Cassanje, fundando o jagado dos bangalas. Entretanto, os vários Muatas que acompanharam Tchinhama e Andumba Uá Tembué foram-se separando para formarem estados independentes. 
Entretanto, num continente diferente do dele, numa cidade chamada Berlim (de que ele nunca tinha ouvido falar), reunidos á volta de uma mesa, os chefes de outros reinos, traçavam a lápis, a divisão do seu continente, com a total indiferença pelo que ele naquele momento, pretendia transmitir aos filhos. Os lundas, que ficaram com Lweji e Tchibinda, defenderam a sua rainha, e os partidários de Tchinguri e Tchinhama terão certamente a sua versão sobre este caso, que remonta ao início do século XVII. Decorria do ano de 1885, em que um macota (ancião), reunido com seus filhos, lhes contava e transmitia, orgulhoso, a história, cultura e tradições do Povo e Reino a que pertenciam, ciente de estar a cumprir a sua obrigação. Igualmente desconhecia que nas linhas traçadas, uma delas passava no meio da reunião que o macota efectuava com os filhos e que determinaria, que ele pertenceria ao Reino de Portugal (cujo território designaram por Angola) e os filhos pertenceriam ao Rei da Bélgica, cuja quinta privada o mesmo designaria por Zaire. 
O que ele desconhecia era que naquele preciso momento, numa cidade chamada Luanda, reunidos á volta de uma mesa, os chefes africanos, vindos de outros reinos, continuavam a opressão e exploração do seu reino, com a total indiferença pelo que ele naquele momento, pretendia transmitir aos bisnetos. E assim decorreu, até aos anos 50-60, do seculo XX, aquilo que o Mundo designou por Colonialismo dos Povos Europeus sobre os Povos Africanos, que por mais esforço que fizessem, não conseguiam separar o ancião dos filhos. 
Numa luta justa, dos Povos Africanos perante a agressão do Colonialismo Europeu, repõem a sua independência. E o velho ancião, reunido com os seus bisnetos, orgulhoso, lhes transmite a história, cultura e tradições do Povo e Reino a que pertencem, ciente de estar a cumprir a sua obrigação.


quinta-feira, 6 de abril de 2017

A CONQUISTA DO OESTE AMERICANO Nº.29


BANDIDOS



JESS JAMES – 1847 - 1882
E O IRMÃO FRANK JAMES

Jess Woodsen James, nasceu em 5 de Setembro de 1847 e faleceu em 3 de Abril de 1882. Foi um fora-da-lei muito conhecido no Velho Oeste pelos assaltos a comboios, e considerado por muitos historiadores como um dos melhores a utilizar o revólver. Conta-se que o seu primeiro assassinato tivesse ocorrido quando tinha 14 anos e, ao longo da sua vida, Jesse teria morto cerca de 20 pessoas.
Jesse nasceu no Condado de Clay, Missouri, na cidade de Kearney. Seu pai, Robert S. James, foi um agricultor, comerciante de cânhamo e pastor da igreja Batista, no Kentucky. Mudou-se para Missouri após ter casado, comprou vários hectares de terra e seis escravos negros. Na altura da célebre corrida ao ouro, partiu para a Califórnia para pregar aos mineiros, espalhando a sua religião, mas acabou por morrer nesse Estado do Pacífico. Jesse, seu filho, tinha apenas três anos à data do seu falecimento.
CASA DOS PAIS DE JESSE E FRANK JAMES EM KEARNEY - MISSOURI

A mãe de Jesse, Zerelda James, voltou a casar. Inicialmente, com Benjamin Simms, e depois com o médico Reuben Samuel. Após o seu último casamento em 1855, Samuel fixou-se no lar dos James. Jesse, teve dois irmãos – Frank, mais velho e, a irmã Susan. Do casamento de Zerelda James com Reuben Samuel nasceram mais quatro filhos – meios-irmãos de Jesse. Nesta altura, Zerelda e Reuben Samuel compraram sete escravos e dedicaram-se à plantação de tabaco nas suas terras do Missouri.
Com a aproximação da Guerra Civil Americana (Guerra da Secessão), entre 1861 e 1865, a situação tornou-se difícil para o Estado do Missouri. Este Estado ficava na fronteira dos lados beligerantes e tinha características tanto do Norte como do Sul, mas 75% da população era do Sul. A escravatura do Condado de Clay era maior do que das outras áreas do Estado. Os escravos eram 10% da população do Missouri, mas em Clay, a percentagem subia para 25%. O Condado de Clay, onde viviam os James, tornou-se tumultuoso após a autorização da lei Kansas-Nebraska em 1854, quando a questão da escravatura irrompeu no vizinho território do Kansas. Começaram os confrontos entre as milícias pró e contra a escravatura.
JESSE E FRANK JAMES - 1872
A Guerra Civil iria mudar a vida de Jesse James. A guerrilha começou no Estado logo após uma série de campanhas militares e batalhas do exército regular, em 1861. Os Separatistas confrontaram-se com as milícias da União, cometendo-se atrocidades em ambas as partes. As guerrilhas assassinaram civis da União, executaram prisioneiros e escalpelaram os mortos. As forças da União declararam lei marcial e invadiram lares, prenderam civis, executaram e expulsaram simpatizantes dos Confederados.
A família James-Samuel ficou do lado dos Confederados. Frank James, irmão de Jesse, alistou-se no grupo dos Separatistas, a Missouri State Guard, e combateu na batalha de Wilson´s Creek.
Voltando para casa em 1863, foi denunciado como membro da guerrilha que operava no Condado de Clay. Em Maio deste mesmo ano de 1863, uma milícia da União invadiu a casa dos James-Samuel à procura do grupo de Frank. Torturaram o padrasto Reuben Samuel e tentaram enforcá-lo numa árvore, tendo sido salvo por Jesse que o levou para o campo. Constou-se que Frank teria fugido e que se juntara aos guerrilheiros chefiados por William C. Quantrill.
WILLIAM C. QUANDRILL, JESSE JAMES WILLIAM e T. ANDERSON

Durante o inverno de 1863/1864, Frank seguiu com Quantrill para o Texas, e voltou na Primavera acompanhado de um pelotão chefiado por Fletch Taylor. Quando retornou ao Condado de Clay, Jesse tinha 16 anos e entrou para o grupo de Taylor com seu irmão Frank. No verão de 1864, Taylor foi severamente ferido, perdendo o braço direito atingido por um canhão. Os irmãos James juntaram-se ao grupo dos Separatistas chefiados por William T. Anderson, o “sanguinário” Bill Anderson.
Nessa época houve um relato do delegado de Clay, que dizia que Frank e Jesse tinham tomado parte do massacre de Centralia (Missouri) em Setembro, quando 22 soldados desarmados da União foram mortos. Uma emboscada das guerrilhas derrotou e perseguiu um regimento comandado pelo Major A.V.E. Johnson, matando quem tentou render-se. Frank seria identificado mais tarde como sendo o membro do bando que deu o tiro fatal no Major Johnson.
Como resultado das actividades dos irmãos James, a sua família no Condado de Clay foi forçada ao exílio pelas autoridades militares da União com ordens para se mudarem para Sul, além das linhas da União. Atravessaram a fronteira até ao Nebraska. Anderson foi morto numa emboscada em Outubro e os James escaparam em diferentes direcções. Frank seguiu com Quantrill para o Kentucky, James foi para o Texas sob o comando de um dos tenentes de Anderson – Archie Clement.
Ao tentar voltar ao Missouri na primavera, teve que se render à cavalaria da União, próximo de Lexington.
Após a Guerra Civil, o Estado do Missouri ficou convulsionado. O conflito levou que a população se dividisse em três facções antagonistas: Os antiescravagistas radicais da União, que formariam o partido Republicano, os pró-escravagistas da União, que formariam o partido Democrata, e os Separatistas.
ZERELDA MIMMS
Jesse, ferido, foi para casa de um tio, onde foi tratado pela prima, Zerelda “Zee” Mimms, que tinha o mesmo nome da mãe. Jesse e Mimms, após prolongado namoro de 9 anos, casaram.
O comandante de Jesse, Archie Clement, mantinha o seu grupo em acção. Durante o período de paz roubaram o primeiro Banco, o Savings Association do Condado de Clay em Liberty, a 13 de Fevereiro de 1866. O Banco era propriedade de um Republicano oficial da milícia. Um inocente, William Jewel, foi morto a tiro na rua, durante a fuga dos assaltantes.
Ainda se está por provar na participação deste assalto com Jesse e Frank James porém, na época, foram citados como tendo sido os líderes do assalto.   Archie Clement continuou a praticar crimes e ataques a alvos ligados aos governos Republicanos. Ocupara a cidade de Lexington, Missouri, no dia da eleição de 1866, quando foi morto por tiros da milícia.
Os sobreviventes da quadrilha de Clement continuaram a roubar Bancos durante os dois anos seguintes. Em 23 de Maio de 1867 assaltaram um Banco em Richmond, Missouri, no qual foi morto um Major e outros dois, mas duvida-se da participação de Jesse.
Em 1868, Frank e Jesse James juntam-se ao grupo de Cole Younger e assaltam o Banco de Russelville, no Kentucky.
COLE, JIM, JOHN e BOB

A fama de Jesse acentuou-se em Dezembro de 1869, quando ele e o irmão Frank assaltaram o Savings Association em Gallatin, Missouri. Jesse, atirou e matou o bancário capitão John Sheets, confundindo-o com Samuel P- Cox, o oficial da milícia que tinha morto William T. Anderson durante a Guerra Civil. Pela primeira vez, os nomes dos James aparecem nos jornais.
THOMAS T. CRITTENDEN
Este assalto tornou-os conhecidos pelos maiores fora-da-lei. O governador de Missouri, Thomas T. Crittenden colocou uma recompensa pela captura dos irmãos. Nesta ofensiva, o editor e fundador do Kansas City Times, John Newman Edwards, aliou-se aos assaltantes contra a proposta da recompensa.
Edwards, ex simpatizante dos Confederados, estava em campanha para retomar o poder dos Separatistas no Missouri.
Seis meses após o roubo de Gallatin, Edwards publicou a primeira de muitas cartas de Jesse James, que alegava inocência. As cartas foram aumentando o tom político e denunciavam os Republicanos.
Junto aos editoriais de Edwards, as cartas transformaram os James num símbolo do desafio Confederado contra a Reconstrução defendida pelos Legalistas. Graças a Edwards, os assaltantes ganharam a fama de “Robin Hood”.
Os irmãos James juntaram-se ao grupo de Cole Younger e seus irmãos John, Jim e Bob, além de Clell Miller e outros ex-Confederados, e formaram aquele que ficou conhecido como o Grupo dos James-Younger. Jesse James, cabeça de grupo, espalhou uma onda de assaltos pelos Bancos de Iowa até ao Texas, e do Kansas até Virgínia Ocidental. Além de Bancos, assaltaram escritórios de diligências e uma feira em Kansas, no Missouri. Em 21 de Julho de 1873 roubaram um comboio vindo de Chicago, descarrilando-o em Adair, no Iowa. O roubo rendeu à quadrilha cerca de três mil dólares. Aqui, ficaram conhecidos como assaltantes de comboios.
ALLAN PINKERTON
Em 1874, a Adams Express Company contratou os serviços à Agência de detectives Pinkerton a fim de perseguirem o Grupo de James-Younger. Joseph Whicher, um agente da Pinkerton, foi enviado para se infiltrar na fazenda Zerelda Samuel, mas acabou por ser morto. Dois outros, Louis J. Lull e John Boyle, não tiveram melhor sorte. Lull foi morto por dois dos Youngers em 17 de Março de 1874, mas matou John Younger antes de morrer. Edwin Daniels, auxiliar do xerife, morreu também no tiroteio.
Allan Pinkerton, o fundador e chefe da Agência, tomou o caso como pessoal e contactou Legalistas que moravam próximos do sítio dos James. Atacaram na noite de 25 de Janeiro de 1875. Com o incêndio iniciado pelos detectives, houve uma explosão na qual morreria o jovem meio-irmão dos James, de nome Archie (em honra a Archie Clement) e mutilaram a mãe Zerelda Samuel, que perdeu um braço. O sangrento acto ajudou Edwards a tornar Jesse James como figura simpática do público. Tentou-se uma amnistia aos irmãos James e Younger e reduzir o limite dos prémios oferecidos pelo governador.
Jesse e a sua prima Zee tiveram dois filhos: Jesse E. James (nascido em 1875) e Mary James Barr (em 1879). Os gémeos Gould e Montgomery James (nascidos em 1878) morreram durante a infância. Jesse Jr. tornou-se advogado e teve uma carreira respeitada sendo membro da bancada de Kansas City, Missouri.
Em 7 de Setembro de 1876 o grupo James-Younger tentou o maior golpe de sempre ao atacar o Firsty National Bank em Northfield, Minnesota. Após o roubo, apenas Frank e Jesse James conseguiram escapar. Cole e Bob Younger contaram que tinham escolhido aquele Banco por causa da sua ligação com a União do político Adelbert Ames, o governador do Mississipi durante a Reconstrução, e Benjamin Butler, parente de Ames e um comandante da União que ocupara New Orleans, Louisiana. Ames, era fundador do Banco, mas Butler não influenciava na direcção.
             GEN. ADELBERT AMES e BENJAMIM FRANKLIN BUTLER

O grupo tinha-se dividido em dois grupos. Três homens entraram no Banco, dois guardavam a porta pelo lado de fora e três ficaram próximos do prédio. O tesoureiro Joseph Lee Heywood recusou-se a abrir o cofre, e foi atacado. O assistente Alonzo Enos Bunker foi ferido quando correu para a porta. Com suspeitas dos homens na porta do Banco, os cidadãos deram o alarme. Os cinco bandidos do lado de fora dispararam para o ar para desimpedir a rua, mas receberam tiros de volta. Dois bandidos foram mortos e o resto foi ferido. Os de dentro do Banco, tentaram fugir. Na fuga, atiraram à cabeça de Heywod. O grupo fugiu de Northfield, com dois companheiros mortos e duas vítimas inocentes (Heywood e um imigrante sueco chamado Nicholas Gustafson). Mesmo com intensa perseguição, os irmãos James conseguiram fugir para Missouri. Os Youngers e Charlie Pitts, foram descobertos. Pitts morreu e todos os Youngers foram presos. O grupo James-Younger foi destruído, com apenas Frank e Jesse James ainda livres.

Em 1876, Jesse e Frank James foram até Nashville, Tennessee, usando os nomes de Thomas Howard e B.J. Woodson. Em 1879 foi formado outro grupo, que atacou um comboio em Glendale, Missouri, em 8 de Outubro desse ano. Os roubos começaram e incluíram o pagamento a trabalhadores de um canal em Muscle Shoals, no Alabama, além de mais dois comboios assaltados. O novo grupo não tinha a experiência em assaltos como o grupo antigo e muitos foram presos, deixando James em estado crítico. Desanimado, assassinou membros do grupo. Os irmãos James acabaram de regressar a Missouri. Em Dezembro, Jesse alugou uma casa em Saint Joseph, Missouri, não muito longe do local onde nasceu e cresceu. Frank, decidiu mudar-se para Virgínia.
Com o grupo debandado por prisões, mortes e desistências, Jesse achou que só restavam dois homens em quem podia confiar – os irmãos Robert e Charley Ford. Charley já conhecia Jesse, mas Bob era um recém-recrutado. Jesse levou-os para sua companhia. Houve rumores de que Jesse tinha tido um caso com uma Irmã dos Ford, Martha Bolton. Jesse não sabia que Bob Ford havia secretamente negociado com Thomas Theodore Crittenden, o governador do Missouri, para entregá-lo. Crittenden tinha como prioridade a captura dos irmãos James. Impedido pela lei de oferecer uma boa recompensa, conseguiu que a Companhia dos Caminhos de Ferro oferecesse uma recompensa de 5.000 dólares para cada um dos irmãos. O próprio presidente Ulysses S. Grant também desejava ver os irmãos presos.
ROBERT FORD
Em 3 de Abril de 1882, após tomar o café da manhã, os Ford e Jesse James faziam os preparativos para outro roubo e cuidavam dos cavalos. Jesse estava sem o seu casaco vestido e sem armas e foi descrito a sacudir o pó de um quadro subindo numa cadeira. Robert Ford aproveitou a oportunidade e atingiu Jesse na cabeça. Diz a lenda que Jesse James já vinha com pensamentos suicidas e que no dia da sua morte deixou as armas que nunca tirava da cintura em cima da mesa, dando as costas aos Ford para tirar a poeira de um quadro, como quem sabe que vai ser traído, preferindo deixar que o matassem para não ter mais duas mortes na conta.
Há relatos que informam que Jesse viu através do reflexo do quadro quando apontaram a arma na sua direcção.
O assassinato de Jesse James teve grande repercussão. Os Ford não tentaram esconder-se. Robert Ford desejava a recompensa. Uma multidão dirigiu-se a casa em St. Joseph para ver o corpo do assaltante, enquanto os irmãos Ford se rendiam às autoridades. Os irmãos Ford foram sentenciados à forca, mas duas horas antes da execução, receberam o perdão do governador Crittenden.
As implicações da conspiração do chefe do executivo do Missouri para matar um cidadão, criaram novas lendas sobre Jesse James.
Os Ford receberam uma pequena recompensa e fugiram do Missouri. Começaram uma viagem teatral pelo país, onde reencenaram a morte de Jesse James.
Charley Ford suicidou-se a 6 de Maio de 1884 em Richmond, Missouri, após ser acometido de tuberculose e tomar morfina. Robert Ford foi assassinado por um pistoleiro em Creed, Colorado, em 8 de Junho de 1892. O assassino, Edward Capehart O´Kelley, foi sentenciado à prisão perpétua. A sentença de O´Kelley foi comutada por causa da sua saúde e foi solto em 3 de Outubro de 1902.
A viúva de Jesse James morreu sozinha e pobre. Seu corpo foi enterrado em Kearney, Missouri, e foi exumado em 1995 para um teste de DNA.
A transição de agricultores para famosos fora-da-lei deveu-se sobretudo à perda do seu rancho para uma escrupulosa Companhia Ferroviária que queria conquistar o Oeste através dos caminhos-de-ferro intercontinentais, passando por cima dos fazendeiros da região a qualquer custo.
Jesse, foi sepultado em Mount Olivet Cemetery, em Kearney.

Alexander Franklin James, irmão mais velho de Jesse James, nasceu em 10 de Janeiro de 1843 e faleceu em 18 de Fevereiro de 1915, com 72 anos de idade. Depois de ter deixado o irmão Jesse, Frank foi contratado por Aaron Mittenthal para trabalhar em Dallas num armazém de tecidos. Cinco meses após a morte de Jesse, partiu de comboio para Jefferson City, Missouri, onde se encontrou com o governador Crittenden e lhe entregou pessoalmente as armas, dizendo: “Fui perseguido durante 21 anos tendo vivido sempre montado no meu cavalo e sem ter tido um único dia de sossego. Foi um tempo de eterna vigília. Governador, nunca deixei que algum homem me tocasse nas minhas armas desde 1861”.
Conta-se que Frank se entregou com a condição de que nunca seria extraditado para Northfield, Minnesota. Foi julgado unicamente por ter cometido dois assaltos (Gallatin e em Winston, Missouri).
Durante os seus mais 30 anos de vida, Frank teve vários empregos: vendedor de sapatos, segurança num teatro em St. Louis, operador de telégrafo em St. Joseph e apostador de cavalos. Frank, na companhia do seu velho aliado bandido, Cole Younger, já livre da prisão, viajou pelo país em digressão relatando as façanhas que o tornaram famoso. De Sherman, Texas, onde residia, voltou à fazenda James, no Condado de Clay, onde se dedicou a dar autógrafos, falecendo na sua terra natal em 1915.
Frank, foi sepultado em Hill Park Cemetery, em Independence.


Até breve                                                                                   
O amigo



domingo, 5 de fevereiro de 2017

A CONQUISTA DO OESTE AMERICANO Nº.28
















XERIFES


BAT MASTERSON – 1853 - 1921

William Barclay “Bat” Masterson, nasceu em 27 de Novembro de 1853 e faleceu em 25 de Outubro de 1921. Foi caçador de búfalos, batedor no exército, jogador e apostador, delegado, Marshal e colunista no jornal “New York Morning Telegraph”. Teve dois irmãos que foram xerifes; James e Ed Masterson, e foi bisavô de Robert Ballard, o cientista marinho que pesquisou os restos do navio naufragado –  Titanic.Conta-se que o apelido de “Bat” (morcego), surgiu quando um destes animais sibilou pela igreja enquanto o  baptizavam. 
Nasceu em Henryville, no Quebec, Canadá, com o nome de Bartholomew Masterson. Posteriormente, alterou o seu nome para “William Barclay Masterson”. 















O pai, Thomas Masterson, nasceu no Canadá, com proveniência duma família irlandesa, e a sua mãe, Catherine McGurk, nasceu na Irlanda. Todos tiveram estadia em fazendas no Quebec, passando por Nova York e Illinois, até que por fim se fixaram em Wichita, no Kansas. Nos términos da sua adolescência, ele e os seus irmãos (Ed e Jim) deixaram o seio familiar para se tornarem caçadores de búfalos. Numa das suas deslocações, sem a participação dos irmãos, Bat interveio numa batalha contra os Comanches – Batalha de Adobe Walls, no Texas. Tratou-se dum ataque organizado pelas tribos vizinhas contra trinta caçadores de búfalos, onde se encontrava Bat Masterson, decorria o ano de 1874. A partir desta altura, e por algum tempo, auxiliou o exército Americano como batedor nas campanhas contra as tribos de índios Kiowas e Comanches. Depois, como xerife, participou num duelo em Sweetwater, no Texas, em 1876, com motivo numa mulher. Num salão de baile, o Sargento Corporal Melvim A. King atingiu mortalmente Mollie Brennman e feriu Bat Mastersen. Bat, atingido na bacia, ainda conseguiu disparar matando o soldado.













Em 1877, juntou-se aos seus irmãos em Dodge City, no Kansas. Jim era o xerife e, o seu irmão ED, o seu ajudante. Quando Bat Masterson chegou à cidade, gerou-se um conflito com o Marshal por causa de um cidadão que tinha sido detido. Bat foi preso e multado porém, a sua multa foi anulada pela Junta.
No percurso da sua vida, serviu como ajudante ao famoso xerife Wyatt Earp e, mais tarde, foi eleito xerife em Ford County, no Kansas. Tornou-se adversário na construção da linha férrea de Rio Grande, juntando-se aos seus adeptos de Santa Fé, no Colorado. Razões em dívidas por pagar por conta da Sociedade dos Caminhos de Ferro do Pacífico. 












Manteve-se como xerife em Ford County até 1879. Neste ano, o seu irmão ED era Marshal em Dodge City, onde fora morto num tiroteio. Foi atingido pelo vaqueiro Jack Wagner, que também ficara ferido. Bat Masterson, ao atravessar a rua em seu auxílio, disparou contra Wagner e contra o seu capataz, Alf Walker. Wagner viria a falecer no dia seguinte resultado das balas disparadas por ED e pelo Bat Masterson.
Nos anos sucessivos, Bat levou uma vida como apostador e jogador, movendo-se por várias cidades do Velho Oeste. Esteve com Wyatt Earp, em Tombstone, no Arizona, momentos antes do célebre tiroteio na cidade de Trinidad, no Colorado.
Em 1883 participou num conflito sangrento contra pistoleiros, conhecidos pela guerra de Dodge City. 












Em 1889 foi viver para Denver, no Colorado, onde se envolveu com Soapy Smith numas eleições tornadas escandalosas. Comprou o “Palace Variety Theater” e casou com a atriz Emma Walters em 21 de Novembro de 1891                             
Em 1892 geriu o “Denver Exchange Club”, em Creed, no Colorado e, seguiu para outras cidades movimentadas do Oeste, jogando, apostando e promovendo combates de boxe. Tornou-se colunista escrevendo artigos de desporto para o “George´s  Weekly”, jornal de Denver, e abriu um ginásio, “The Olimpia Athletic Club”, para a prática de boxe.
Apesar de Bat ter tido mais fama, o seu irmão James participou em mais duelos.
Em 1902, Bat Masterson abandonou o Oeste e fixou-se em Nova York onde foi preso por ter participado em jogos ilícitos.













O Presidente Theodore Roosevelt, por recomendação do seu amigo Alfred Henry Lewis, nomeou Masterson como ajudante de Marshal, num dos distritos de Nova York, sob as ordens de William Henkel. Roosevelt encontrou-se em várias ocasiões com Bat, estreitando a sua amizade com ele. Masterson dividiu a sua ocupação como jornalista e homem de lei durante o período compreendido entre 1908 e 1912.
Bat Masterson trabalhou como redator desportivo e editor, desde 1883 até à sua morte em 1921.
Morreu com 67 anos, em 1921, enquanto vivia e trabalhava em Nova York. Tombou de uma cadeira vitimado com um ataque cardíaco contraído pelo excesso de tabaco que sempre fumou, após ter redigido uma coluna final para o “New York Morning Telegraph”.
Foi sepultado no cemitério de Woodlawn, em Bronx, Nova York. O seu nome completo de William Barclay Masterson aparece gravado numa lápide de granito. 















Até breve                                                                                   
O amigo



quarta-feira, 27 de julho de 2016

quarta-feira, 13 de julho de 2016

terça-feira, 5 de julho de 2016

REINOS DE ANGOLA

A República de Angola é, depois do Congo (Ex-Zaire), a maior nação ao sul do Saará. Com uma área de 1.246.700 Km2, foi durante quinhentos anos uma grande colónia portuguesa. Angola está situada na costa ocidental da África, em frente ao Brasil e tem fronteiras ao norte com a República Popular do Congo; a nordeste, com a República Democrática do Congo ou Ex-Zaire; a leste com a Zâmbia; e ao sul, com a Namíbia. O território tem um comprimento máximo de 1.277 Km no sentido norte/sul e 1.236 Km de leste a oeste. Em fronteira marítima tem 1.680 Km e terrestre 4.928 Km. De acordo com o mapa dos reinos históricos de Angola o reino do Kongo englobava as províncias do Zaire, do Uíge, a maioria da província do Bengo e do Cuanza Norte, bem como a parte norte da província de Malanje. O reino do Kongo era o maior de Angola, pois grande parte de Angola pertencia ao reino do Kongo, porém o nordeste de Angola pertencia ao império Nlúnda. Os reinos de Matamba e Ndongo, englobava parte das províncias de Malanje, do Bengo e quase toda a província do Cuanza Sul, com excepção do reino de Quiçama, que situava-se na parte costeira do Cuanza Sul.
Os reinos do planalto eram: Manba, Sanga, Ndalu, Bailundo, Tchisangê, Nganda, Tchiaka, Huambo e Bié, totalizando nove impérios, só na grande área do planalto, porém o reino de Cassanje englobava parte da província do Bié, a baixada da actual Cassanje e a parte ocidental de Lunda Norte, causando grandes batalhas entre os reinos de Bié e Cassanje pois o rei de Bié dizia ser dele aquelas terra , enquanto o rei de Cassanje dizia o mesmo. Os reinos Tchokwe era o império Nlunda, que englobava a província de Lunda Norte e parte de Lunda Sul. Os reinos do sudoeste eram: Músô, Huíla, Mulundo, Helelos, Tchípúngo, Tchíwémba e Nagámbwe. A formação étnica de Angola iniciou-se a partir da migração dos bantos, povos que falam as línguas bantu, comum na África Oriental, Central e Meridional cujo termo singular é "munto", que significa "homem", "pessoa". Quando em 1482, os portugueses chegaram ao estuário do Rio Congo, os povos bantos já se encontravam ali em diversos reinos. “A expansão das línguas bantu pode reflectir a ocorrência de grandes migrações que terminaram bem antes do ano 1100”. No entanto, a história desta população primitiva da África Negra só começou a ser decifrada a partir do século XIX, quando o mapa do continente negro foi discutido intensamente na Conferência de Berlim de 1884. De acordo com os etnólogos especialistas em África, a etnia Banto, compreendia vários grupos como: Bacongos, Lunda-Cokwel, Mbundu, Ovimbundo, e outros pequenos subgrupos, que se expandiram pela África a partir da zona equatorial. A penetração dos portugueses nos seus territórios teve início no reino dos bacongos, actual Zaire, província de Angola ao norte do país. Dentro da visão expansionista dos portugueses já havia uma consciência de que a conquista deste território não seria fácil, porque os bacongos, antes da chegada do colonizador, já dominavam técnicas da metalurgia, transformando ferro em instrumentos de guerra, conseguindo assim hegemonia territorial sobre os outros reinos próximos ao seu Estado. Em volta do reino bacongo havia outros estados menores os quais em virtude da distância do centro, eram considerados independentes teoricamente, na prática respeitavam a supremacia do "manicongo". (Manicongo: o mesmo que reino do Congo. Compreendia Matamba e Angola).” Entre estes reinos distantes destaque para três: Ngoyo; Cacongo e Luango na costa do Atlântico a norte do estuário do Congo, área conhecida como Matamba atravessado pelo vale do Cuango a sudeste, e a região de Ndongo, que incluía quase toda a parte central de Angola, de ambos os lados do Rio Quanza. Quando houve os primeiros contactos com os portugueses, o mais importante dos muitos pequenos chefes da região de Ndongo era um que possuía o título hereditário de Ngola, que os colonizadores deturparam dando mais tarde o nome de Angola à Colonia" Em 3 de maio de 1560, o navegador português Paulo Dias Novaes chegou à barra do Quanza, apesar de Diogo Cão ter sido o descobridor. A ocupação Lusa em Angola deu-se efectivamente no século XVI. Favorecido pela diversidade étnica dos Bantus, Paulo Dias Novaes iniciou sucessivas guerras contra os sobas que resistiam à ocupação. Segundo historiadores "do ano de 1579 até hoje, Angola não teve mais do que 20 anos consecutivos de paz". Apesar da resistência, o avanço do colonizador era incontestável, pois era uma luta extremamente desigual, valendo apenas a bravura daqueles pioneiros na batalha contra a expansão ultramarina. Um outro lado a considerar é que diversidade não cria unidade, desta forma a estratégia utilizada pelo colonizador foi a de dividir para reinar, criando desentendimento entre as diferentes etnias, apoiados por outros reinos de seu interesse. “Às surriadas de tiros das armas europeias e luso-angolanas, ripostavam verdadeiras chuvadas de flechas e pedradas lançadas pelos indígenas. Por fim, a defesa cedeu, caindo na mão do exército grande número de prisioneiros, entre os quais Ngunza-a-Mbambe e seus macotas, imediatamente degolados, com muitos companheiros. Estava-se em 9 de agosto de 1679. Enterrados os mortos, tratados os feridos e restaurados as forças dos sobreviventes, Luís Lopes de Sequeira prosseguiu a rota determinada pelo regimento, isto é, deslocou em direcção ao "Sobado" (provém de Soba – autoridade tradicional de um lugar, chefe de tribo africana), de Quitequi Cabenguela, causador da mobilização. Pelo caminho avassalou matumbo-a-Hoji e Catuculo Caquariongo, sobas poderosos, o primeiro dos quais reforçou o exército com seus homens de arco. Findas oito jornadas de marcha, a coluna alcançou um morro elevado, em cujas cumeadas se sobrepunha a sanzala principal de Ngola Quitumba, importante chefe negro da região, e fez alto neste ponto; e vindo a saber, depois que se encontrava ali refugiado Quitequi Cabenguela, o grande adversário a combater, abriu trincheiras e tomou todas as medidas para conquistar a difícil posição-" A luta do povo angolano do ponto de vista da resistência representou o início de um ensaio da libertação política, já que as determinações da coroa portuguesa eram explícitas em direcção à futura expansão territorial. Durante os anos que Paulo Novaes passou nas terras angolanas, pôde ver bem em que condição poderia fazer a ocupação e a colonização portuguesa. Dentre as informações colhidas sobressai uma, que dizia respeito às minas de prata do Cambambe. Paulo Novaes na visita que fez ao reino, conseguiu despertar interesses do soberano por aquelas terras. Ele deixou a impressão à coroa portuguesa de que poderia fazer em Angola uma colonização agrícola fácil, semelhante à do Brasil. Soube ver o perigo da infiltração das outras potências europeias, que começavam a olhar com cobiça para as terras além-mar. Como o Brasil, Angola teve o seu período pré-colonial, quando os interesses da coroa portuguesa ficaram voltados para outros territórios em virtude das condições mercadológicas do século XVI. A forma adoptada pelos portugueses na ocupação e colonização de Angola, foi o sistema de capitanias implantado por Paulo Dias de Novaes. A capitania tinha trinta e cinco léguas de Costa, começando a contar da foz do Rio Cuanza para Sul. No interior podia entrar até onde fosse possível, recebendo ainda outras doações, que poderia escolher sob três condições: deveriam ser repartidas em quatro partes; entre cada uma delas haveria pelo menos um espaço de duas léguas; sendo aproveitadas no prazo máximo de vinte anos a contar da data da posse.
O reino de Cabinda correspondia aproximadamente ao actual território de Cabinda. A maioria destes vinte e cinco reinos, foram extintos durante o século XVI. Existem provas documentadas que, comprovam que muitos desses impérios foram erguidos ou construídos, antes da era cristã. Ainda hoje existem alguns desses reinos no país de Angola que são conservados pelo património histórico.
O capitão Paulo Dias de Novaes tinha obrigações como: 1º - defender, povoar e cultivar a terra, sem qualquer custo à coroa portuguesa;2º - construir três fortalezas nas terras do domínio real; 3º - explorar toda a costa ocidental da África desde o Rio Cuanza até ao Cabo da Boa Esperança. O donatário ficava, contudo, com uma larga margem de benefícios, porém sem qualquer recurso a pedir ou exigir algo da coroa portuguesa. Nestas condições o mercado esclavagista foi uma opção rentável, além da utilização de todos os recursos dos rios e portos que nestas terras houvesse. Paulo Dias de Novaes tinha ainda a obrigação de estabelecer as famílias europeias na sua capitania, sobretudo agricultores e os mais variados grupos sociais, independentes procedentes da metrópole. Pretendia-se com esta medida espalhar naquelas terras os costumes europeus e ensinar aos autóctones o aproveitamento das riquezas naturais. Enfim, era um plano de colonização. Procurava-se evitar em Angola os erros cometidos no Brasil, aproveitando a experiência adquirida para os futuros indígenas nas terras de Ngola. Apesar de todo o planeamento “o rei de Angola não se mostrou tão fiel aliado dos portugueses como o rei do Congo.” Reagindo a invasão, os sobas e os reinos dominados, iniciaram uma série de revoltas. As mais importantes revoltas ocorreram no sobado da Quiçama, e no sobado dos Dembos que protegiam grupos de escravos fugitivos, do Ndongo, da Matamba, do Kongo, de Cassanje, do Kuvale e do Planalto Central. Das pequenas revoltas, que foram apagadas na história dos vencedores, algumas permaneceram como testemunho da resistência, mostrando que as revoltas nunca cessaram na extensa capitania de Paulo Dias Novaes.
   1ª - A revolta de 1570: foi liderada pelo carismático "Bula Matadi", um aristocrata, que vendo o perigo que corria o seu povo, fez uma guerra de resistência para que não fossem explorados e dominados pelos portugueses. Bula Matadi mobilizou toda a comunidade para expulsar os portugueses do reino do Kongo, com a perspectiva de acabar com as intrigas que enfraqueciam o reino. Os portugueses intervieram militarmente ao lado do rei do Kongo, depois de muitas batalhas Bula Matadi foi morto no último combate. 
2ª - Resistência no Ndongo: No reino do Ndongo, foi forte a resistência contra a chegada dos portugueses. Com o espírito aventureiro, Paulo Dias de Novaes procurou o Ngola a fim de se informar das riquezas que havia no Ndongo. Desconfiado das intenções de Novaes, não lhe facilitou seu desejo e teve-o preso em Kabasa durante cinco anos. Quando libertou o capitão português, ele regressou ao seu país e voltou alguns anos depois com homens armados, dispostos a fazer a guerra ao Ndongo, a partir da cidade de Luanda, onde se instalou e mandou construir uma fortaleza. Ngola Kilwenje era então o rei do Ndongo. O seu exército conseguiu vencer os portugueses em várias batalhas, embora as armas fossem simples lanças, arcos, flechas, mocas e matracas contra as armas de fogo que os invasores traziam. Contudo, a resistência enfraqueceu à medida que alguns chefes foram abandonando a luta e, quando Ngola Kilwanje morreu, o Ndongo foi aos poucos ocupado pelos agressores. Muxima, Massangano, Cambambe foram caindo na posse dos portugueses que construíram fortes nos pontos altos a fim de melhor vigiar e dominar as populações. Algumas tribos e chefes sujeitaram-se a esta situação e pagaram tributos em escravos aos capitães portugueses. Outros preferiam fugir das áreas ocupadas e continuar a lutar, refugiando-se em zonas protegidas como as ilhas do Kwanza 
3.ª- Njinga Mbandi: O maior símbolo da resistência ficou para a Rainha Njinga Mbandi, que além da luta contra a ameaça do colonizador, conseguiu aliar os povos do Ndongo, Matamba, Kongo, Cassanje, Dembos, Quiçama e do Planalto Central. Foi essa a maior aliança que se constituiu para lutar contra os portugueses. As diferenças e interesses regionais foram esquecidos a favor da unidade contra o inimigo comum, Agostinho Neto num dos seus discursos disse o mesmo em relação aos outros dois movimentos de libertação considerando os portugueses o inimigo comum aos três. Esta unidade teve os seus efeitos positivos: durante vários anos, os portugueses perderam posições e foram reduzidos a um pequeno território de onde seriam expulsos se não recebessem reforços. "Desejando restabelecer a paz com o Governador, depois de exaustivas lutas, a nova rainha mandou à Luanda (principal base dos portugueses), uma embaixada, que alcançou os seus objectivos, mediante a intervenção, por ela solicitada, de figuras eclesiásticas de realce entre as quais o bispo. Proposto em 6 de Setembro de 1683, o tratado de vassalagem obedeceu a oito condições, estipuladas pelo Governador e aceites pelos protectores da soberania". O destaque destes termos está no item quatro, que na íntegra força a rainha a dar abertura em suas terras para os forasteiros e caçadores de escravos "Será a mesma rainha obrigada a mandar abrir os caminhos para o comércio, sem impedimento ou franquias nas terras do seu estado, e para que os pumbeiros pudessem ir e vir livremente sem que ela ou vassalo seu algum lhes possam impedir as suas actividades. O termo pumbeiros é o mesmo que pombeiros: agentes na sua maioria formados por mestiços. Os pombeiros trabalhavam por conta dos grandes chefes, sobas ou militares portugueses. Durante um ou dois anos, internavam-se no interior de Angola, trocavam os escravos por tecidos, vinho e objectos, missangas, espelhos e quinquilharias, voltando com uma centena de negros, homens e mulheres acorrentados. Este tráfico tinha o nome de "Guerra Preta" porque arrancavam sempre por meios violentos os negros das aldeias. Contudo eram os próprios negros, entre os quais os Jingas, que, levados pela ambição de possuir os objectos trazidos pelos portugueses, faziam guerra aos seus irmãos de cor. Existia até uma moeda especial para pagar os escravos. Em determinada altura, foi uma espécie de conchinha, importada do Brasil, a que deram o nome de Jimbo. Mais tarde, um tecido de folhas de palmeiras o "pano" substituiu o Jimbo. Muitas vezes os auxiliares da "guerra preta" eram os próprios chefes negros, os Sobas que trocavam os seus súbditos por vinho, tecidos, sal ou pólvora. Os portugueses forneciam auxiliares a estes sobas: um dos seus soldados servia igualmente de guarda e ordenança. Documentos do século XVII, contam-nos como o comércio, a espionagem, escravatura e a evangelização, sempre foram armas imprescindíveis na conquista e expansão colonial. Há quem pretenda que as razões económicas estão na base da infiltração portuguesa em África, mas nesse período histórico todas as formas para a subordinação dos indígenas foram utilizadas como estratégias traçadas e coordenadas a partir das principais falhas e nas enormes dissidências tribais, linguísticas e culturais na composição étnica de território Angolano. Os acordos de vassalagem foram extremamente desiguais na composição do reino do Sonso, Quacar, Puriamujinga, Lindi, Cassem e Damba, pois a passagem dos pombeiros teve a garantia do governo central, cabendo aos vassalos, sobas e toda a comunidade indígena de Angola aceitar as condições acordadas ou a sofrerem a imposição de retaliações militares. Na revolta da Rainha Njinga Mbandi, apesar da sua percepção para uma possível unificação étnica na luta contra o colonizador, a questão da força bélica Lusa foi um factor decisivo. No entanto, passados vários séculos da morte da Rainha Njinga, a ideia da unidade do povo angolano ainda não se encontrava configurada pacificamente.
4.º - EKWIKWI II do Bailundo. Ekwikwi II, foi outro herói da resistência, que reinou no Bailundo no planalto Central de Angola há cerca de cem anos, com influência notável em toda a região. Quando chegou ao poder, os portugueses já dominavam todo o norte de Angola e preparavam para a penetração no interior do Planalto Central em busca de cera, borracha e outros produtos. Nessas circunstâncias, Ekwikwi resolveu preparar o seu povo militar e economicamente para enfrentar a guerra prevista. Sendo assim, ele intensificou a agricultura, principalmente o cultivo do milho, dieta indispensável na cultura dos Bantos. O milho era enviado em caravanas para o litoral na base de troca com os sobados vizinhos. As caravanas do bailundo, com o passar do tempo, passaram a avançar para outros Estados. Com essas viagens, foram expandindo para as novas áreas da borracha e colmeias, tornando o reino do Bailundo conhecido em toda a África Central como o estado mais rico do planalto com vários produtos para o consumo interno e exportação. A comunidade do bailundo viveu intensamente os modelos para a defesa dos direitos e soberania dos estados do planalto baseados nos princípios de Ekwikwi II que, além de fortalecer o seu exército, estabeleceu uma aliança sólida com Ndunaduma I, rei do Bié, para fortalecer sua posição na região. Ekwikwi II foi um rei progressista, dinâmico que sempre governou ao lado do seu povo. Ele foi sucedido por Numa II, que, corajosamente, enfrentou a guerra contra a pesada artilharia portuguesa no ataque à capital do Bailundo. Aos poucos as forças militares portuguesas foram ocupando pontos estratégicos. O Bailundo foi totalmente dominado, sem qualquer resistência a nova imposição Lusitana. 
5.º- Mutu-Ya-Kevela. Em 1902 os portugueses já tinham o domínio, e ocupação de grande parte do território angolano. Na região do planalto houve a fixação de alguns comerciantes portugueses em busca do milho, cera e borracha. Havia também fortificações construídas em Huambo e Bié para apoiar as trocas comerciais e manter a ocupação na região. Mesmo em pleno século XX, os portugueses mantinham o recrutamento para trabalho escravo na agricultura. Mutu Ya Kevela, o segundo homem mais importante na região, após o rei Kalandula do Bailundo, questionou as autoridades portuguesas contra o trabalho forçado imposto pelos imperialistas. Mutu-Ya-Kevela reuniu todos os sobados e reinos do planalto, convocando 6000 homens contra as colunas militares portuguesas, que sufocaram os rebeldes de Angola em 1902.
6.º - Mndume, Rei dos Kwanyama. O sul de Angola esteve sempre disputado pelos portugueses e alemães. Aproveitando tal rivalidade, Mandume, rei do Kwanyama, conseguiu obter armamentos dos alemães, que serviriam para lutar contra os portugueses. Preocupados com uma futura ocupação dos alemães, os portugueses atacaram Njiva de surpresa, antes que o mesmo organizasse a luta armada. Mandume fugiu, iniciando em todo o território Ambó, uma tentativa de unir todas as tribos contra os portugueses. Os Ambós, muito bem organizados, comandados por Mandume, venceram os portugueses numa série de batalhas, obrigando os militares lusitanos a buscar reforços. Os portugueses utilizaram um sistema que ambos conheciam muito bem, corromperam parte da guerrilha Kwanyama, assim venceram as batalhas de Mongwa e . Sabendo da vitória dos portugueses, devido ao grande poder de artilharia, e pela traição de alguns sobas, Mandume suicidou-se em 1917, preferindo a morte do que viver sob a subordinação dos colonialistas. Apesar da resistência e com a luta pela independência de alguns reinos, a ocupação do litoral ocorreu por meio de um jogo de interesses comerciais entre os portugueses e as diferentes tribos de Angola. A evangelização e tribalismos muito contribuíram para a ocupação tanto no passado, como no presente. A configuração étnica de Angola, determina um provincianismo, ou regionalismo, que dificulta a regulação social do Estado, em função dos diferentes dialectos no mesmo território.

Texto de Antonio José Canhoto.