domingo, 5 de fevereiro de 2017

A CONQUISTA DO OESTE AMERICANO Nº.28
















XERIFES


BAT MASTERSON – 1853 - 1921

William Barclay “Bat” Masterson, nasceu em 27 de Novembro de 1853 e faleceu em 25 de Outubro de 1921. Foi caçador de búfalos, batedor no exército, jogador e apostador, delegado, Marshal e colunista no jornal “New York Morning Telegraph”. Teve dois irmãos que foram xerifes; James e Ed Masterson, e foi bisavô de Robert Ballard, o cientista marinho que pesquisou os restos do navio naufragado –  Titanic.Conta-se que o apelido de “Bat” (morcego), surgiu quando um destes animais sibilou pela igreja enquanto o  baptizavam. 
Nasceu em Henryville, no Quebec, Canadá, com o nome de Bartholomew Masterson. Posteriormente, alterou o seu nome para “William Barclay Masterson”. 















O pai, Thomas Masterson, nasceu no Canadá, com proveniência duma família irlandesa, e a sua mãe, Catherine McGurk, nasceu na Irlanda. Todos tiveram estadia em fazendas no Quebec, passando por Nova York e Illinois, até que por fim se fixaram em Wichita, no Kansas. Nos términos da sua adolescência, ele e os seus irmãos (Ed e Jim) deixaram o seio familiar para se tornarem caçadores de búfalos. Numa das suas deslocações, sem a participação dos irmãos, Bat interveio numa batalha contra os Comanches – Batalha de Adobe Walls, no Texas. Tratou-se dum ataque organizado pelas tribos vizinhas contra trinta caçadores de búfalos, onde se encontrava Bat Masterson, decorria o ano de 1874. A partir desta altura, e por algum tempo, auxiliou o exército Americano como batedor nas campanhas contra as tribos de índios Kiowas e Comanches. Depois, como xerife, participou num duelo em Sweetwater, no Texas, em 1876, com motivo numa mulher. Num salão de baile, o Sargento Corporal Melvim A. King atingiu mortalmente Mollie Brennman e feriu Bat Mastersen. Bat, atingido na bacia, ainda conseguiu disparar matando o soldado.













Em 1877, juntou-se aos seus irmãos em Dodge City, no Kansas. Jim era o xerife e, o seu irmão ED, o seu ajudante. Quando Bat Masterson chegou à cidade, gerou-se um conflito com o Marshal por causa de um cidadão que tinha sido detido. Bat foi preso e multado porém, a sua multa foi anulada pela Junta.
No percurso da sua vida, serviu como ajudante ao famoso xerife Wyatt Earp e, mais tarde, foi eleito xerife em Ford County, no Kansas. Tornou-se adversário na construção da linha férrea de Rio Grande, juntando-se aos seus adeptos de Santa Fé, no Colorado. Razões em dívidas por pagar por conta da Sociedade dos Caminhos de Ferro do Pacífico. 












Manteve-se como xerife em Ford County até 1879. Neste ano, o seu irmão ED era Marshal em Dodge City, onde fora morto num tiroteio. Foi atingido pelo vaqueiro Jack Wagner, que também ficara ferido. Bat Masterson, ao atravessar a rua em seu auxílio, disparou contra Wagner e contra o seu capataz, Alf Walker. Wagner viria a falecer no dia seguinte resultado das balas disparadas por ED e pelo Bat Masterson.
Nos anos sucessivos, Bat levou uma vida como apostador e jogador, movendo-se por várias cidades do Velho Oeste. Esteve com Wyatt Earp, em Tombstone, no Arizona, momentos antes do célebre tiroteio na cidade de Trinidad, no Colorado.
Em 1883 participou num conflito sangrento contra pistoleiros, conhecidos pela guerra de Dodge City. 












Em 1889 foi viver para Denver, no Colorado, onde se envolveu com Soapy Smith numas eleições tornadas escandalosas. Comprou o “Palace Variety Theater” e casou com a atriz Emma Walters em 21 de Novembro de 1891                             
Em 1892 geriu o “Denver Exchange Club”, em Creed, no Colorado e, seguiu para outras cidades movimentadas do Oeste, jogando, apostando e promovendo combates de boxe. Tornou-se colunista escrevendo artigos de desporto para o “George´s  Weekly”, jornal de Denver, e abriu um ginásio, “The Olimpia Athletic Club”, para a prática de boxe.
Apesar de Bat ter tido mais fama, o seu irmão James participou em mais duelos.
Em 1902, Bat Masterson abandonou o Oeste e fixou-se em Nova York onde foi preso por ter participado em jogos ilícitos.













O Presidente Theodore Roosevelt, por recomendação do seu amigo Alfred Henry Lewis, nomeou Masterson como ajudante de Marshal, num dos distritos de Nova York, sob as ordens de William Henkel. Roosevelt encontrou-se em várias ocasiões com Bat, estreitando a sua amizade com ele. Masterson dividiu a sua ocupação como jornalista e homem de lei durante o período compreendido entre 1908 e 1912.
Bat Masterson trabalhou como redator desportivo e editor, desde 1883 até à sua morte em 1921.
Morreu com 67 anos, em 1921, enquanto vivia e trabalhava em Nova York. Tombou de uma cadeira vitimado com um ataque cardíaco contraído pelo excesso de tabaco que sempre fumou, após ter redigido uma coluna final para o “New York Morning Telegraph”.
Foi sepultado no cemitério de Woodlawn, em Bronx, Nova York. O seu nome completo de William Barclay Masterson aparece gravado numa lápide de granito. 















Até breve                                                                                   
O amigo



quarta-feira, 27 de julho de 2016

quarta-feira, 13 de julho de 2016

terça-feira, 5 de julho de 2016

REINOS DE ANGOLA

A República de Angola é, depois do Congo (Ex-Zaire), a maior nação ao sul do Saará. Com uma área de 1.246.700 Km2, foi durante quinhentos anos uma grande colónia portuguesa. Angola está situada na costa ocidental da África, em frente ao Brasil e tem fronteiras ao norte com a República Popular do Congo; a nordeste, com a República Democrática do Congo ou Ex-Zaire; a leste com a Zâmbia; e ao sul, com a Namíbia. O território tem um comprimento máximo de 1.277 Km no sentido norte/sul e 1.236 Km de leste a oeste. Em fronteira marítima tem 1.680 Km e terrestre 4.928 Km. De acordo com o mapa dos reinos históricos de Angola o reino do Kongo englobava as províncias do Zaire, do Uíge, a maioria da província do Bengo e do Cuanza Norte, bem como a parte norte da província de Malanje. O reino do Kongo era o maior de Angola, pois grande parte de Angola pertencia ao reino do Kongo, porém o nordeste de Angola pertencia ao império Nlúnda. Os reinos de Matamba e Ndongo, englobava parte das províncias de Malanje, do Bengo e quase toda a província do Cuanza Sul, com excepção do reino de Quiçama, que situava-se na parte costeira do Cuanza Sul.
Os reinos do planalto eram: Manba, Sanga, Ndalu, Bailundo, Tchisangê, Nganda, Tchiaka, Huambo e Bié, totalizando nove impérios, só na grande área do planalto, porém o reino de Cassanje englobava parte da província do Bié, a baixada da actual Cassanje e a parte ocidental de Lunda Norte, causando grandes batalhas entre os reinos de Bié e Cassanje pois o rei de Bié dizia ser dele aquelas terra , enquanto o rei de Cassanje dizia o mesmo. Os reinos Tchokwe era o império Nlunda, que englobava a província de Lunda Norte e parte de Lunda Sul. Os reinos do sudoeste eram: Músô, Huíla, Mulundo, Helelos, Tchípúngo, Tchíwémba e Nagámbwe. A formação étnica de Angola iniciou-se a partir da migração dos bantos, povos que falam as línguas bantu, comum na África Oriental, Central e Meridional cujo termo singular é "munto", que significa "homem", "pessoa". Quando em 1482, os portugueses chegaram ao estuário do Rio Congo, os povos bantos já se encontravam ali em diversos reinos. “A expansão das línguas bantu pode reflectir a ocorrência de grandes migrações que terminaram bem antes do ano 1100”. No entanto, a história desta população primitiva da África Negra só começou a ser decifrada a partir do século XIX, quando o mapa do continente negro foi discutido intensamente na Conferência de Berlim de 1884. De acordo com os etnólogos especialistas em África, a etnia Banto, compreendia vários grupos como: Bacongos, Lunda-Cokwel, Mbundu, Ovimbundo, e outros pequenos subgrupos, que se expandiram pela África a partir da zona equatorial. A penetração dos portugueses nos seus territórios teve início no reino dos bacongos, actual Zaire, província de Angola ao norte do país. Dentro da visão expansionista dos portugueses já havia uma consciência de que a conquista deste território não seria fácil, porque os bacongos, antes da chegada do colonizador, já dominavam técnicas da metalurgia, transformando ferro em instrumentos de guerra, conseguindo assim hegemonia territorial sobre os outros reinos próximos ao seu Estado. Em volta do reino bacongo havia outros estados menores os quais em virtude da distância do centro, eram considerados independentes teoricamente, na prática respeitavam a supremacia do "manicongo". (Manicongo: o mesmo que reino do Congo. Compreendia Matamba e Angola).” Entre estes reinos distantes destaque para três: Ngoyo; Cacongo e Luango na costa do Atlântico a norte do estuário do Congo, área conhecida como Matamba atravessado pelo vale do Cuango a sudeste, e a região de Ndongo, que incluía quase toda a parte central de Angola, de ambos os lados do Rio Quanza. Quando houve os primeiros contactos com os portugueses, o mais importante dos muitos pequenos chefes da região de Ndongo era um que possuía o título hereditário de Ngola, que os colonizadores deturparam dando mais tarde o nome de Angola à Colonia" Em 3 de maio de 1560, o navegador português Paulo Dias Novaes chegou à barra do Quanza, apesar de Diogo Cão ter sido o descobridor. A ocupação Lusa em Angola deu-se efectivamente no século XVI. Favorecido pela diversidade étnica dos Bantus, Paulo Dias Novaes iniciou sucessivas guerras contra os sobas que resistiam à ocupação. Segundo historiadores "do ano de 1579 até hoje, Angola não teve mais do que 20 anos consecutivos de paz". Apesar da resistência, o avanço do colonizador era incontestável, pois era uma luta extremamente desigual, valendo apenas a bravura daqueles pioneiros na batalha contra a expansão ultramarina. Um outro lado a considerar é que diversidade não cria unidade, desta forma a estratégia utilizada pelo colonizador foi a de dividir para reinar, criando desentendimento entre as diferentes etnias, apoiados por outros reinos de seu interesse. “Às surriadas de tiros das armas europeias e luso-angolanas, ripostavam verdadeiras chuvadas de flechas e pedradas lançadas pelos indígenas. Por fim, a defesa cedeu, caindo na mão do exército grande número de prisioneiros, entre os quais Ngunza-a-Mbambe e seus macotas, imediatamente degolados, com muitos companheiros. Estava-se em 9 de agosto de 1679. Enterrados os mortos, tratados os feridos e restaurados as forças dos sobreviventes, Luís Lopes de Sequeira prosseguiu a rota determinada pelo regimento, isto é, deslocou em direcção ao "Sobado" (provém de Soba – autoridade tradicional de um lugar, chefe de tribo africana), de Quitequi Cabenguela, causador da mobilização. Pelo caminho avassalou matumbo-a-Hoji e Catuculo Caquariongo, sobas poderosos, o primeiro dos quais reforçou o exército com seus homens de arco. Findas oito jornadas de marcha, a coluna alcançou um morro elevado, em cujas cumeadas se sobrepunha a sanzala principal de Ngola Quitumba, importante chefe negro da região, e fez alto neste ponto; e vindo a saber, depois que se encontrava ali refugiado Quitequi Cabenguela, o grande adversário a combater, abriu trincheiras e tomou todas as medidas para conquistar a difícil posição-" A luta do povo angolano do ponto de vista da resistência representou o início de um ensaio da libertação política, já que as determinações da coroa portuguesa eram explícitas em direcção à futura expansão territorial. Durante os anos que Paulo Novaes passou nas terras angolanas, pôde ver bem em que condição poderia fazer a ocupação e a colonização portuguesa. Dentre as informações colhidas sobressai uma, que dizia respeito às minas de prata do Cambambe. Paulo Novaes na visita que fez ao reino, conseguiu despertar interesses do soberano por aquelas terras. Ele deixou a impressão à coroa portuguesa de que poderia fazer em Angola uma colonização agrícola fácil, semelhante à do Brasil. Soube ver o perigo da infiltração das outras potências europeias, que começavam a olhar com cobiça para as terras além-mar. Como o Brasil, Angola teve o seu período pré-colonial, quando os interesses da coroa portuguesa ficaram voltados para outros territórios em virtude das condições mercadológicas do século XVI. A forma adoptada pelos portugueses na ocupação e colonização de Angola, foi o sistema de capitanias implantado por Paulo Dias de Novaes. A capitania tinha trinta e cinco léguas de Costa, começando a contar da foz do Rio Cuanza para Sul. No interior podia entrar até onde fosse possível, recebendo ainda outras doações, que poderia escolher sob três condições: deveriam ser repartidas em quatro partes; entre cada uma delas haveria pelo menos um espaço de duas léguas; sendo aproveitadas no prazo máximo de vinte anos a contar da data da posse.
O reino de Cabinda correspondia aproximadamente ao actual território de Cabinda. A maioria destes vinte e cinco reinos, foram extintos durante o século XVI. Existem provas documentadas que, comprovam que muitos desses impérios foram erguidos ou construídos, antes da era cristã. Ainda hoje existem alguns desses reinos no país de Angola que são conservados pelo património histórico.
O capitão Paulo Dias de Novaes tinha obrigações como: 1º - defender, povoar e cultivar a terra, sem qualquer custo à coroa portuguesa;2º - construir três fortalezas nas terras do domínio real; 3º - explorar toda a costa ocidental da África desde o Rio Cuanza até ao Cabo da Boa Esperança. O donatário ficava, contudo, com uma larga margem de benefícios, porém sem qualquer recurso a pedir ou exigir algo da coroa portuguesa. Nestas condições o mercado esclavagista foi uma opção rentável, além da utilização de todos os recursos dos rios e portos que nestas terras houvesse. Paulo Dias de Novaes tinha ainda a obrigação de estabelecer as famílias europeias na sua capitania, sobretudo agricultores e os mais variados grupos sociais, independentes procedentes da metrópole. Pretendia-se com esta medida espalhar naquelas terras os costumes europeus e ensinar aos autóctones o aproveitamento das riquezas naturais. Enfim, era um plano de colonização. Procurava-se evitar em Angola os erros cometidos no Brasil, aproveitando a experiência adquirida para os futuros indígenas nas terras de Ngola. Apesar de todo o planeamento “o rei de Angola não se mostrou tão fiel aliado dos portugueses como o rei do Congo.” Reagindo a invasão, os sobas e os reinos dominados, iniciaram uma série de revoltas. As mais importantes revoltas ocorreram no sobado da Quiçama, e no sobado dos Dembos que protegiam grupos de escravos fugitivos, do Ndongo, da Matamba, do Kongo, de Cassanje, do Kuvale e do Planalto Central. Das pequenas revoltas, que foram apagadas na história dos vencedores, algumas permaneceram como testemunho da resistência, mostrando que as revoltas nunca cessaram na extensa capitania de Paulo Dias Novaes.
   1ª - A revolta de 1570: foi liderada pelo carismático "Bula Matadi", um aristocrata, que vendo o perigo que corria o seu povo, fez uma guerra de resistência para que não fossem explorados e dominados pelos portugueses. Bula Matadi mobilizou toda a comunidade para expulsar os portugueses do reino do Kongo, com a perspectiva de acabar com as intrigas que enfraqueciam o reino. Os portugueses intervieram militarmente ao lado do rei do Kongo, depois de muitas batalhas Bula Matadi foi morto no último combate. 
2ª - Resistência no Ndongo: No reino do Ndongo, foi forte a resistência contra a chegada dos portugueses. Com o espírito aventureiro, Paulo Dias de Novaes procurou o Ngola a fim de se informar das riquezas que havia no Ndongo. Desconfiado das intenções de Novaes, não lhe facilitou seu desejo e teve-o preso em Kabasa durante cinco anos. Quando libertou o capitão português, ele regressou ao seu país e voltou alguns anos depois com homens armados, dispostos a fazer a guerra ao Ndongo, a partir da cidade de Luanda, onde se instalou e mandou construir uma fortaleza. Ngola Kilwenje era então o rei do Ndongo. O seu exército conseguiu vencer os portugueses em várias batalhas, embora as armas fossem simples lanças, arcos, flechas, mocas e matracas contra as armas de fogo que os invasores traziam. Contudo, a resistência enfraqueceu à medida que alguns chefes foram abandonando a luta e, quando Ngola Kilwanje morreu, o Ndongo foi aos poucos ocupado pelos agressores. Muxima, Massangano, Cambambe foram caindo na posse dos portugueses que construíram fortes nos pontos altos a fim de melhor vigiar e dominar as populações. Algumas tribos e chefes sujeitaram-se a esta situação e pagaram tributos em escravos aos capitães portugueses. Outros preferiam fugir das áreas ocupadas e continuar a lutar, refugiando-se em zonas protegidas como as ilhas do Kwanza 
3.ª- Njinga Mbandi: O maior símbolo da resistência ficou para a Rainha Njinga Mbandi, que além da luta contra a ameaça do colonizador, conseguiu aliar os povos do Ndongo, Matamba, Kongo, Cassanje, Dembos, Quiçama e do Planalto Central. Foi essa a maior aliança que se constituiu para lutar contra os portugueses. As diferenças e interesses regionais foram esquecidos a favor da unidade contra o inimigo comum, Agostinho Neto num dos seus discursos disse o mesmo em relação aos outros dois movimentos de libertação considerando os portugueses o inimigo comum aos três. Esta unidade teve os seus efeitos positivos: durante vários anos, os portugueses perderam posições e foram reduzidos a um pequeno território de onde seriam expulsos se não recebessem reforços. "Desejando restabelecer a paz com o Governador, depois de exaustivas lutas, a nova rainha mandou à Luanda (principal base dos portugueses), uma embaixada, que alcançou os seus objectivos, mediante a intervenção, por ela solicitada, de figuras eclesiásticas de realce entre as quais o bispo. Proposto em 6 de Setembro de 1683, o tratado de vassalagem obedeceu a oito condições, estipuladas pelo Governador e aceites pelos protectores da soberania". O destaque destes termos está no item quatro, que na íntegra força a rainha a dar abertura em suas terras para os forasteiros e caçadores de escravos "Será a mesma rainha obrigada a mandar abrir os caminhos para o comércio, sem impedimento ou franquias nas terras do seu estado, e para que os pumbeiros pudessem ir e vir livremente sem que ela ou vassalo seu algum lhes possam impedir as suas actividades. O termo pumbeiros é o mesmo que pombeiros: agentes na sua maioria formados por mestiços. Os pombeiros trabalhavam por conta dos grandes chefes, sobas ou militares portugueses. Durante um ou dois anos, internavam-se no interior de Angola, trocavam os escravos por tecidos, vinho e objectos, missangas, espelhos e quinquilharias, voltando com uma centena de negros, homens e mulheres acorrentados. Este tráfico tinha o nome de "Guerra Preta" porque arrancavam sempre por meios violentos os negros das aldeias. Contudo eram os próprios negros, entre os quais os Jingas, que, levados pela ambição de possuir os objectos trazidos pelos portugueses, faziam guerra aos seus irmãos de cor. Existia até uma moeda especial para pagar os escravos. Em determinada altura, foi uma espécie de conchinha, importada do Brasil, a que deram o nome de Jimbo. Mais tarde, um tecido de folhas de palmeiras o "pano" substituiu o Jimbo. Muitas vezes os auxiliares da "guerra preta" eram os próprios chefes negros, os Sobas que trocavam os seus súbditos por vinho, tecidos, sal ou pólvora. Os portugueses forneciam auxiliares a estes sobas: um dos seus soldados servia igualmente de guarda e ordenança. Documentos do século XVII, contam-nos como o comércio, a espionagem, escravatura e a evangelização, sempre foram armas imprescindíveis na conquista e expansão colonial. Há quem pretenda que as razões económicas estão na base da infiltração portuguesa em África, mas nesse período histórico todas as formas para a subordinação dos indígenas foram utilizadas como estratégias traçadas e coordenadas a partir das principais falhas e nas enormes dissidências tribais, linguísticas e culturais na composição étnica de território Angolano. Os acordos de vassalagem foram extremamente desiguais na composição do reino do Sonso, Quacar, Puriamujinga, Lindi, Cassem e Damba, pois a passagem dos pombeiros teve a garantia do governo central, cabendo aos vassalos, sobas e toda a comunidade indígena de Angola aceitar as condições acordadas ou a sofrerem a imposição de retaliações militares. Na revolta da Rainha Njinga Mbandi, apesar da sua percepção para uma possível unificação étnica na luta contra o colonizador, a questão da força bélica Lusa foi um factor decisivo. No entanto, passados vários séculos da morte da Rainha Njinga, a ideia da unidade do povo angolano ainda não se encontrava configurada pacificamente.
4.º - EKWIKWI II do Bailundo. Ekwikwi II, foi outro herói da resistência, que reinou no Bailundo no planalto Central de Angola há cerca de cem anos, com influência notável em toda a região. Quando chegou ao poder, os portugueses já dominavam todo o norte de Angola e preparavam para a penetração no interior do Planalto Central em busca de cera, borracha e outros produtos. Nessas circunstâncias, Ekwikwi resolveu preparar o seu povo militar e economicamente para enfrentar a guerra prevista. Sendo assim, ele intensificou a agricultura, principalmente o cultivo do milho, dieta indispensável na cultura dos Bantos. O milho era enviado em caravanas para o litoral na base de troca com os sobados vizinhos. As caravanas do bailundo, com o passar do tempo, passaram a avançar para outros Estados. Com essas viagens, foram expandindo para as novas áreas da borracha e colmeias, tornando o reino do Bailundo conhecido em toda a África Central como o estado mais rico do planalto com vários produtos para o consumo interno e exportação. A comunidade do bailundo viveu intensamente os modelos para a defesa dos direitos e soberania dos estados do planalto baseados nos princípios de Ekwikwi II que, além de fortalecer o seu exército, estabeleceu uma aliança sólida com Ndunaduma I, rei do Bié, para fortalecer sua posição na região. Ekwikwi II foi um rei progressista, dinâmico que sempre governou ao lado do seu povo. Ele foi sucedido por Numa II, que, corajosamente, enfrentou a guerra contra a pesada artilharia portuguesa no ataque à capital do Bailundo. Aos poucos as forças militares portuguesas foram ocupando pontos estratégicos. O Bailundo foi totalmente dominado, sem qualquer resistência a nova imposição Lusitana. 
5.º- Mutu-Ya-Kevela. Em 1902 os portugueses já tinham o domínio, e ocupação de grande parte do território angolano. Na região do planalto houve a fixação de alguns comerciantes portugueses em busca do milho, cera e borracha. Havia também fortificações construídas em Huambo e Bié para apoiar as trocas comerciais e manter a ocupação na região. Mesmo em pleno século XX, os portugueses mantinham o recrutamento para trabalho escravo na agricultura. Mutu Ya Kevela, o segundo homem mais importante na região, após o rei Kalandula do Bailundo, questionou as autoridades portuguesas contra o trabalho forçado imposto pelos imperialistas. Mutu-Ya-Kevela reuniu todos os sobados e reinos do planalto, convocando 6000 homens contra as colunas militares portuguesas, que sufocaram os rebeldes de Angola em 1902.
6.º - Mndume, Rei dos Kwanyama. O sul de Angola esteve sempre disputado pelos portugueses e alemães. Aproveitando tal rivalidade, Mandume, rei do Kwanyama, conseguiu obter armamentos dos alemães, que serviriam para lutar contra os portugueses. Preocupados com uma futura ocupação dos alemães, os portugueses atacaram Njiva de surpresa, antes que o mesmo organizasse a luta armada. Mandume fugiu, iniciando em todo o território Ambó, uma tentativa de unir todas as tribos contra os portugueses. Os Ambós, muito bem organizados, comandados por Mandume, venceram os portugueses numa série de batalhas, obrigando os militares lusitanos a buscar reforços. Os portugueses utilizaram um sistema que ambos conheciam muito bem, corromperam parte da guerrilha Kwanyama, assim venceram as batalhas de Mongwa e . Sabendo da vitória dos portugueses, devido ao grande poder de artilharia, e pela traição de alguns sobas, Mandume suicidou-se em 1917, preferindo a morte do que viver sob a subordinação dos colonialistas. Apesar da resistência e com a luta pela independência de alguns reinos, a ocupação do litoral ocorreu por meio de um jogo de interesses comerciais entre os portugueses e as diferentes tribos de Angola. A evangelização e tribalismos muito contribuíram para a ocupação tanto no passado, como no presente. A configuração étnica de Angola, determina um provincianismo, ou regionalismo, que dificulta a regulação social do Estado, em função dos diferentes dialectos no mesmo território.

Texto de Antonio José Canhoto.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

PERFIL ETNO-HISTÓRICO DO POVO ANGOLANO



A base ético-linguística de Angola compreende os grupos populacionais BANTU e uma minoria não -BANTU, os VASSEQUELE.

OS BANTU
Habitando não só Angola mas também a África Central, Meridional e Oriental, o povo Bantu constitui um grupo especial entre os negros da África. Eles têm três elementos comuns sobre os quais nenhuma contestação é possivel:
a) O mesmo sistema linguístico;
b) Uma civilização base;
c) Unidade nas ideias filosóficas.
Na vastidão das áreas que ocupam, a arrancada rumo ao progresso não se deu num dia nem obedeceu, depois, a uma velocidede uniforme. Assim, no progresso histórico do desenvolvimento da sociedade, uns avançaram mais que os outros.
O povo Bantu desenvolveu a metalurgia, a agricultura, a criação de gado,a pesca, o que lhe dava uma ascendência económica e militar.
A influência do meio geográfico, o modo de vida e a influência linguística de outros povos fazem com que existam em Angola nove grupos étnico-linguísticas. Também conforme o grau de desenvolvimento, o crescimento demográfico e o nível de organização, os grupos ético-linguísticos mais fortes tinham formado Reinos que marcaram a sua história. Assim temos:

BAKONGO: O grupo étnico-linguístico Bakongo, ocupa o Norte e o Noroeste de Angola, na área que abrange Cabinda até às linhas do rio Dande. A língua falada é o Kikongo.
Repartidos aquando da partilha do Continente Africano pelos países colonialistas, uma parte desse grupo passou para as actuais Repúblicas do Congo e Zaire.
A tradição ancestral diz-nos que foi um chefe chamado Nimi a Lukeni que reuniu no passado todos os clãs que falavam Kikongo, fundando o Reino do Congo, com capital em Mbanza Kongo, situada na província Angolana do Zaire.
Povo trabalhador e comerciante adoptou a moeda "njimbu" que consistia de conchas marinhas, muito antes da chegada dos Portugueses, o que assegurou o apogeu comercial do grande Reino do Kongo.
Dada a situação geográfica, foi o primeiro Reino contactado pelos portugueses, em 1482.
Kimbundu: Vizinho imediato dos Bakongo, a sul, entre os rios Dande e Cuanza, o grupo étnico-linguístico Kimbundu espalha-se de Luanda até aos Lunda-Chokwes e confina a sul com os Ovimbundu.
Antes da população Portuguesa, os Kimbundu tinham formado os Reinos do Dondo, Matamba e Estados da Kissama, onde florescia a agricultura e o comércio.
Primeiro grupo invadido militarmente pelos Portugueses, a partir dos meados do século XVI, a história nunca poderá esquecer-se dos seus grandes feitos heróicos na resistência contra a dominação estrangeira, sob o comando dos seus chefes, de que a Rainha Nzinga é expoente máximo do século XVII.
Compelidos de várias formas a conviver com os Portugueses durante séculos, os Kimbundu sofreram inflência Portuguesa, intensiva aqui e extensiva acolá, com a fundação das primeiras instituições escolares na área, o que afectou sobremaneira a sua base cultural Bantu. Em contrapartida, surgiram entre eles os primeiros passos da literatura em Angola.

OVIMBUNDU: Grupo étnico-linguístico mais numeroso, ocupa o Planalto Central de Angola nas Províncias de Benguela, Huambo, Bié, na maior parte do Cuanza Sul e no Norte da Huíla. A sua língua, umbandu não tem fronteiras no interior do País e marca presença forte no Zaire, na Zâmbia e na Namíbia.
Grandes comerciantes e agricultores dedicados da África Austral, os Ovimbundu repisaram o sub-continente do Atântico ao Índico e promoveram um intercâmbio forte de experiências e valores culturais, o que marcou fundo a sua psicologia, que faz da convivência com outros povos a sua característica principal.
É históricamente conhecido como trabalhador, hospitaleiro e paciente, mas implacável quando lesado nos seus direitos.
Durante a ocupação colonial, sofreu grande influência Cristã e atingiu o maior índice no País de alfabetização e de quadros intelectuais e técnicos de níveis básico, médio e superior.
os Ovimbundu formaram vários Estados antes da ocupação colonial,de entre os quais se destacaram os seguintes: Mbalundu, Wambu, Viye, Ndulu, Ngalangui e Chiaka. Estes Estados constítuiram uma divisão administrativa da vasta área e não do seu povo unido e amalgamado na língua, cultura, tradição e carácter comum do poder - o Poder Democrático. Foram Estados fortes pela alma do seu povo, que sempre acreditou ser povo da terra dos destemidos, dos guerreiros. Ao lado das narrações, lendas e adágios, a canção testifica o passado: Kapalandanda wa lila; wa lilila ofeko yahe yilo ofeka yoku loya, ka loyele a tunde ko!... - Kapalandanda chorou, chorou pela sua terra...Esta é terra de combate, quem não luta, saía! O que ficaconsubstancia a mensagem secular do grito da liberdade "TERRA E LUTA ARMADA".

LUNDA-CHOKWE: Ocupa as província da Lunda, parte do Moxico e está também dissiminado nas províncias do Cuando-Cubango, Huíla e leste do Bié e compreende os Lunda-Lua Chimbe, Lunda-Demba e Chokwe.
A tradição conta que os Chokwe, negando ser tributários do Rei Lunda, expandiram-se numa vasta região do Moxico, Bié, Cuando-Cubando e Huíla. Antes da sua expanção, os Chokwe permaneceram estreitamente ligados ao Império Lunda, até que fundaram vários Estados.
São comerciantes, caçadores e apicultores, o que faz da área dos Lunda-chokwe um centro comercial importante com os povos do planalto central até aos princípios deste século.

NGANGUELA: Povoando as províncias do Cuando-Cubango, moxico e parte do Cunene e Huíla, o grupo étnico-linguístico Nganguela compreende os Luimbi, Luchaze, Bunda, Luvale, Mbuela, Kangala, Massi e Yavuma.
Os Nganguela destacam-se como pescadores (os Luvale são exímios pescadores que não se deizam influenciar pela época do ano) e notáveis apicultores.
Vivendo longe da costa do Atlântico e num habitat disperso, os Nganguela só foram dominados pelos portugueses a partir dos anos de 1920, dominação esta que sofreu resistência dos Bunda, chefiados pelo seu dirigente Muene Bandu, assim como dos Nhemba, com o Rei Chilhauku.
Divididos em sub-grupos, não tiveram autoridade centralizada; contudo formaram importantes Reinos, dentre os quais se destacaram os Reinos do Kubango, de Massaka, ou da Raínha Lussinga, de Senge e dos Luvale, sob a prestigiosa dinastia Nhakatolo.

NHANEKA-HUMBI: Vizinhos dos Ovimbundu e dos Ovambo os Nhaneka-Humbi espalharam-se por Províncias da Huíla e do Cunene e compreendem entre outros, os Muíla, Humbi e Gambo.
Dedicando-se à pastorícia e praticando uma fraca agricultura, de vida semi-n´mada, tiveram reinos fortes que resistiram ao colonialismo.

OVAMBO: Ocupando a Província de Cunene, entre o paralelo 16ª e a fronteira com a Namíbia, é constituído por Kuanhamas, Kuamatuis, Evales e Kafimas.
Praticando uma agricultura de subsistência, tem a sua base económica na criação de gado que, por factores climáticos e baixo nível de desenvolvimento, não se libertou da vida semi-nómada. Sente-se ainda o calor de Mandume, que conseguiu unir o povo e fazer resistência forte aos Portugueses até Stembro de 1917. A sua capital foi Onjiva, cujo nome foi novamente retomado em substituição de Pereira d`Eça, nome que fora dado pelos Portugueses.

HERERO: O Herero é também um dos grupos populacionais do nosso País que se espalha na Província de Moçamedes, Sul de Benguela e Oeste de Huíla.
Tal como seus vizinhos Nhaneca- Humbi e Ovambo, dedica-se à criação de gado. Cada um vê no gado graúdo o seu capital e nas crias o seu lucro final.

KUANGAR-BUKUSSO: O grupo linguístico Kuangar-Bukusso ocupa toda a faixa Sul da Província do Cuando-Cubango.
Agricultores pacientes devido à acção cíclica da estiagem, têm a sua economia na criação de gado. Também praticam a pesca nos rios Cubango e Cuando.

OS VASSAQUELE: Os Vassequele constituem um grupo numericamente muito reduzido, que se encontra na Província do Cunene e no sul do Cuando-Cubango.
Caçadores infatigáveis, têm sido nómadas ao longo dos tempos. Porém com a influência dos povos Bantu, quase todos adoptaram a vida sedentária, fazendo pequenas lavras, sem terem deixado a caça e a procura de fruta e mel.
Os Vassaquele possuem uma linguagem especial, caracterizada por "clics" ou estalidos. Foram os autores das maravilhosas pinturas que se encontram nos rochedos, em muitas grutas do Sul de Angola, como na gruta do Chitundo-Hulo no deserto de Moçâmedes. 

Creator :Etienne Stefano Mpyo(Steve).

quarta-feira, 22 de junho de 2016

O REINO DA LUNDA (Aruwund)

Mwene Dumba Watembo, Rei dos Lunda Tchokwes 1887
O Reino da Lunda (1050-1887), também conhecido como Império Lunda, foi uma Confederação africana pré-colonial de estados, desde o Katanga, desde o Rio Luio até Liambeji ou Zambeze e o noroeste da Zâmbia. O seu estado central ficava no actual Katanga ou a capital Imperial a famosa MUSSUMBA.
O Reino da Lunda ficou dividido no século XIX, quando ocorreu as guerras intestinais na Corte da Família Real do Império entre o século XIV, XV ou XVI e por causa do tabú da Soberana Lueji. O Reino dividiu-se em trés partes, sendo;
- Reino Lunda Luba
- Reino Lunda Ndembo
- Reino Lunda Tchokwe
De acordo com os EUROPEOS, os Tchokwes estabeleceram o seu próprio reino com a sua língua e costumes, porém a verdade dos factos ocorridos, esta sendo escrito actualmente num trabalho investigativo, que os leitores terão em vossas mãos nos proximos tempos. Os Chefes Lundas e o povo continuaram a viver na região Lunda porém diminuidos de poder. 
O Rumo da História é diferente, da que conhecemos nas Universidades da Europa ou mesmo de alguns países de Africa.
No início da era colonial (1884 - Conferência de Berlim) o coração da terra Lunda foi dividido entre a Provincia de Angola portuguesa, o Estado Livre do Congo do rei Leopoldo II da Bélgica e o noroeste da Britânica Rodésia, que viriam a tornar-se em Angola, R.C.Congo e Zâmbia, respectivamente.
As Dinastias do Reino Lunda (Aruwund)
Essas dinastias tem sua origem a partir do coração do próprio povo Lunda pré historico, o povo MBUNGO, e o primeiro fundador ou organizador politico do ESTADO LUNDA, Yala Mako, ou seja Yala Yamuaka, significa que Unhas de longos anos, titulo do poder politico agarrado a longos anos.
Yala Yamuaka, segundo a tradição oral Lundês, era irmão mais velho de Kunde, casado com a Konde (Feijão e banana)nomes originárias da língua Lunda, aqui escritos erradamente por Europeos que não sabiam pronúnciar as línguas Africanas, e este casal nasceu 3 filhos e uma filha de nomes; TCHINGULI, TCHINHAMA, NDODJI (Ndoji) e a LUEJI (Rweej ou Nawej). De acordo com a nossa tradição, o título de poder político é transmitido através de LUCANO, uma pulseira de tendão ou MUJIPA seco, de um parente morto para que o futuro Chefe tenha coragem de governar.
Reza a mesma história, Yala Yamuaka tem um outro irmão Thumba Kalunga, esse Thumba é o paí de MUACANHICA, MUAMBUMBA, MUAKAHIA, MUANDUMBA e TEMBO. 
Num dia desse, o TCHINGULI e o TCHINHAMA, foram beber a famosa bebida hidromel, ao regresso a casa espancaram o paí deles, o velho KUNDE, criando-lhe infecções internas e ele velho, ao se sentir moribundo, zangou-se com os dois filhos e, chamou a “cassula” a ultima, a LUEJI (RWEEJ) e vestiu-a, o LUCANO, deu lhe o poder de governar o Estado do Reino da Lunda.
A pós a morte do velho KUNDE, a LUEJI ou RWEEJ torna-se uma brilhante chefe do Estado do Reino da Lunda, a Rainha de todos os filhos do Estado, e ela vivia com uma serie de governandas, entre elas a sua prima KAMONGA LUANZE, irmã da TEMBO, que é a mãe do Ndumba Tembo ou título politico de Dumba Watembo, filho menor de Tembo LUCOQUESSA irmã menor da NACAMBAMBA, irmão de YALA YAMUAKA e KUNDE.
Ninguém sabe ao certo em que século tudo isso aconteceu, são factos pré históricos e pré coloniais ou seja antes da chegada dos EUROPEOS.
A Corte Real da Rainha LUEJI ou RWEEJ, era também composta por varias outras entidades do seu tempo, entre eles; Thinguli, Tchinhama, Ndoji e toda a família real Lundês. Foi um Reino economicamente muito forte, com uma agricultura muito bem estruturada, trabalharam o ferro, o cobre e os tecidos, foram fortes no comércio de escravos, marfim e artesanato.
É no auge da sua governação que todo o mal acontece ao Estado do Reino Lunda, a formação do Império, e a decadência do mesmo e praticamente o desmoronamento do grande pontentado de Africa.
Certo dia, os soldados trouxeram um ladrão da tribo Tchiluba, chamado ILUNGA, e grande caçador que foi apanhado quando roubava a famosa bebida hidromel, que era parte servida na Corte da Rainha LUEJI. Uma reunião da Corte foi convocada de emergência para se decidir, da sorte do ladrão. A maior parte dos membros da Corte decidiram matar o ladrão, porém a Rainha LUEJI na sua qualidade de Chefe, e porque engraçou-se no seu coração com o ladrão, pediu aos membros da Corte, para que não o matassem, e que fosse viver no seu quintal como escravo e mão de obra na construção de residências. Pedido aceite, ILUNGA passou a viver no quintal da LUEJI como seu escravo. Durante a sua estada no quintal da Rainha, ILUNGA passa a ter relações intimas com a prima e a própria Rainha Lueji.
A Lueji como já tinha a pretensão de ficar com ele como seu marido, surpreendeu a Corte, convocando uma Assembleia Estadual e apresentou o ladrão como seu esposo.
É este facto que constitui uma grande violação do tabú do povo ARUWUND, que constituia em os membros da corte ou simplesmente “MUANANGANAS” que significa também “proprietários da terra” ou “Mwaantaangaand” nunca contrairem o matrimonio com um VASSALO ou TCHILOLO. Portanto, como é uma violação de um PACTO SAGRADO, os membros da Corte revoltaram-se contra a Rainha Lueji. 
O desmoronamento da corte da Rainha Lueji, tem lugar com a saida massiva de grandes nomes de personalidades da família Real ARUWUND, Tchinguli, Tchinhama, Ndodji, Thumba Kalunga (Muacanhica, Muambumba, Muakahia, Muandumba e Tembo) e um punhado de populações inteiras descontentes com a violação do pacto sagrado. 
As etapas importantes do Reino da Lunda, desde YALA YAMUAKA até MUAAT YAAV, e o nascimento da palavra “AIOKU KU TCHINGULI” o termo AIOKU que a LUEJI usou pretendia explicar aqueles que querem ir, podem ir, etimologia da língua tchokwe e, é aqui o nascimento de uma parte de um grupo do povo aruwund, que hoje conhecemos como povo TCHOKWE(deixem ir ao Tchinguli).

In
AHMCPA-Angola Heritage-Music-Cultures &Performing Arts
Fonte: www.africafederation.net