terça-feira, 29 de setembro de 2026

FRANCISCO DANIEL ROXO CAÇADOR, GUERREIRO, LENDA.


Nasceu a 1 de Fevereiro de 1933 em Mogadouro, Trás-os-Montes.

Em 1951 partiu para Moçambique. Aprendeu a selva, o rio, a montanha, o vento e o silêncio da noite africana — como poucos brancos alguma vez aprenderiam.

Foi caçador profissional durante anos. Quando a guerra chegou, em 1964, tornou-se uma coisa diferente.
Tornou-se uma lenda.

Com 30 homens — ex-guerrilheiros da Frelimo por ele capturados e reconvertidos — criou a mais eficaz unidade de contra-guerrilha do Niassa. Usava as tácticas do inimigo contra o próprio inimigo. Infiltrava-se na Tanzânia. Atacava de noite. Desaparecia na selva. 

Durante todo o tempo que actuou no Niassa, sofreu apenas 3 baixas. A Frelimo chegou a colocar um prémio avultado sobre a sua cabeça. Chamavam-lhe o “Diabo Branco”. 

Portugal condecorou-o com duas Cruzes de Guerra e uma Medalha de Serviços Distintos — sem que sequer fosse militar de carreira.

Depois do 25 de Abril e da independência de Moçambique, recusou parar e, com 41 anos, alistou-se no Batalhão 32 “Búfalos” do Exército Sul-Africano — aceitando as divisas de simples Sargento.

Em Dezembro de 1975, na Batalha da Ponte 14, no rio Nhia, ele e um punhado de portugueses derrotaram milhares de cubanos e do MPLA. Os portugueses do Batalhão 32 sofreram quatro mortos. Os Cubanos e MPLA perderam mais de 400 homens. Entre os mortos inimigos estava o comandante da força expedicionária cubana.

Foi o primeiro estrangeiro a receber a Cruz de Honra da África do Sul — a mais alta condecoração militar daquele país.

Morreu a 23 de Agosto de 1976, em Angola — quando foi socorrer um dos seus homens ferido e a sua viatura rebentou uma mina. Ficou preso debaixo do veículo. Os seus camaradas tentaram libertá-lo — era demasiado pesado.

O comandante Jan Breytenbach escreveu que Daniel Roxo acendeu um cigarro, fumou-o calmamente até ao fim — e então morreu. Sem um gemido. Sem uma queixa.

Está sepultado em Pretória.

Portugal ainda não lhe fez a homenagem que merece.

E, Mogadouro ainda não ergueu uma estátua ao seu filho mais ilustre.


Nota: Compilação e arranjo feito por V. Oliveira


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