Até 1927, o território onde nasceu a povoação Teixeira de Sousa, conhecido então por Luau (nome do rio fronteiriço), estava do “outro lado”, do lado dos Belgas. Com efeito, antes do tratado de Luanda de 1927, a fronteira de Angola ficava mais a oeste. O limite era marcado pelo Rio Luau e pelo Rio Cassai. Os postos militares portugueses mais próximos daquela zona estavam situados em território que já era Angola na altura.
O mais importante era Nana Candundo.
Em 10 de março de 1912, o Capitão António Braz assumiu o cargo de Capitão-mor de Nana Candundo. Nesta fase, o posto não tinha apenas funções militares, mas servia como centro administrativo e de representação do Governo-Geral de Angola junto das autoridades tradicionais (sobados).
Em 10 de março de 1912, o Capitão António Braz assumiu o cargo de Capitão-mor de Nana Candundo. Nesta fase, o posto não tinha apenas funções militares, mas servia como centro administrativo e de representação do Governo-Geral de Angola junto das autoridades tradicionais (sobados).
A região era habitada por povos de origem Bantu, principalmente das etnias Cokwê (Quiocos), Lunda e Luvale. Estes grupos viviam em aldeias dispersas (libatas) sob a autoridade de chefes tradicionais conhecidos como Sobas. O nome “Luau” já existia antes da povoação portuguesa, referindo-se ao Rio Luau, que servia de fronteira natural e ponto de referência geográfico. Havia pequenos aglomerados populacionais junto ao rio que facilitavam o comércio e a travessia entre os territórios que hoje são Angola e a República Democrática do Congo.
No contexto da delimitação das fronteiras de Angola, e do planeamento e construção dos Caminhos de Ferro de Benguela até à fronteira leste, foram as missões de reconhecimento de natureza diplomáticas e de engenharia que levaram à assinatura do Tratado de Luanda de 1927, um marco fundamental na consolidação do território de Angola.
Essas missões tiveram os seguintes objetivos: garantir que o Caminho de Ferro de Benguela (CFB) pudesse chegar à fronteira do Congo Belga pelo caminho mais curto e eficiente; identificar os limites naturais (rios como o Kassai, Luau e Luakano) para definir a nova fronteira; estudar a qualidade dos solos e a presença de minérios na região da Lunda, para justificar a importância estratégica da troca territorial; preparar o terreno para a instalação de postos alfandegários e administrativos logo após a ratificação do tratado.
As figuras centrais nestas negociações e nos estudos geográficos foram:
A) Coronel António Vicente Ferreira, que exercia as funções de Alto-Comissário (Governador-Geral) de Angola entre 1926 e 1928. Engenheiro militar e político, foi o principal estratega por trás da troca de territórios. Negociou diretamente com os belgas a cedência da região de Mia (no estuário do Zaire, a norte) em troca da região estratégica que ficou conhecida por “Bota do Dilolo” no leste.

Antes do Tratado de Luanda de 1927, a fronteira leste de Angola não possuía a saliência geográfica hoje conhecida como a “Bota do Dilolo”. A linha de demarcação era mais “reta” e toda a região do Dilolo e as margens do Alto Luau estavam sob soberania belga, incluindo o território que hoje compreende o município do Luau.
No Noroeste (Zaire), Portugal detinha a região de Mia, uma área estratégica junto ao estuário do rio Zaire (perto de Matadi e Noqui), onde os belgas queriam expandir a sua linha férrea para evitar terrenos montanhosos difíceis.
Com a assinatura do Tratado de Luanda, os limites foram redefinidos para o traçado que conhecemos hoje: Portugal cedeu à Bélgica o território de Mia no noroeste de Angola (apenas cerca de 3 km²), porque os belgas precisavam desesperadamente daquele pequeno terreno para expandir o porto e a linha férrea deles que ligava Léopoldville (Kinshasa) ao mar. Em troca recebeu uma área de aproximadamente 3.500 m2, no leste, a “Bota do Dilolo”, onde a fronteira passou a ser definida pelo curso do Rio Luau e pelo Rio Kassai, empurrando o limite de Angola mais para leste e permitindo que o Caminho-de-Ferro de Benguela chegasse à fronteira por um caminho mais plano e direto.
Foi uma das trocas territoriais mais desproporcionais da história colonial (3.500 km² por 3 km²), considerada uma vitória diplomática para Portugal, pois garantiu o controlo sobre uma via vital de transporte de minérios do Katanga (Congo) para o porto de Lobito, em Angola.
Mas foi depois de 1956 , no contexto de um conjunto de reformas administrativas levadas a efeito pelo governo de Angola, que se deu a elevação de Teixeira de Sousa à categoria de vila, através do Diploma Legislativo n.º 2757, publicado no Boletim Oficial de Angola em 28 de agosto de 1956. Na mesma altura, outras localidades angolanas,como Ndalatando, a antiga Vila Salazar, e Sumbe, a antiga cidade de Novo Redondo, foram elevadas a novas categorias urbanas.
A partir desse ano, Teixeira de Sousa conheceu grande impulso urbanístico, com o governo colonial a investir na urbanização de “estilo europeu” para atrair funcionários administrativos e técnicos dos caminhos de ferro para uma zona tão isolada.
A ordenação heráldica das armas, bandeira e selo da localidade foi estabelecida através da Portaria n.º 22667, publicada no Diário do Governo n.º 104, 1.ª Série, em 2 de maio de 1967:
Escudo: De vermelho, com uma granada flamejante de ouro.
Bordadura: De prata, carregada com sete escudetes de azul (cada um com cinco besantes de prata), representando a ligação à Coroa Portuguesa.
Coroa Mural: De prata, com quatro torres (estatuto de vila).
Listel: Branco, com a designação “VILA DE TEIXEIRA DE SOUSA” em caracteres negros.
Bandeira: Esquartelada de branco e azul.
Este brasão foi utilizado até à independência de Angola em 1975, quando a localidade foi renomeada para Luau e os símbolos coloniais foram substituídos pelos símbolos nacionais da República de Angola.
Escudo: De vermelho, com uma granada flamejante de ouro.
Bordadura: De prata, carregada com sete escudetes de azul (cada um com cinco besantes de prata), representando a ligação à Coroa Portuguesa.
Coroa Mural: De prata, com quatro torres (estatuto de vila).
Listel: Branco, com a designação “VILA DE TEIXEIRA DE SOUSA” em caracteres negros.
Bandeira: Esquartelada de branco e azul.
Este brasão foi utilizado até à independência de Angola em 1975, quando a localidade foi renomeada para Luau e os símbolos coloniais foram substituídos pelos símbolos nacionais da República de Angola.
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https://ombilaiongombe.wordpress.com/2026/04/12/vila-teixeira-de-sousa-a-ultima-estacao-dos-c-f-b-em-solo-angolano/
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