A LENDA
Nos primeiros tempos da Reconquista, um cavaleiro cristão chamado de D. Ramiro, regressava de combates contra os muçulmanos com um certo orgulho pelas vitórias conseguidas, quando encontrou duas mouras - Mãe e Filha.
Trazia a jovem uma bilha com água que, assustada, deixou cair quando o cavaleiro rudemente lhe pediu para beber.
Enfurecido, acabou por tirar a vida às duas mulheres no momento em que surgiu um jovem mouro… filho e irmão das vítimas!...
Aprisionado, D. Ramiro levou o cativo para o seu castelo onde vivia com a própria esposa e filha, as quais o prisioneiro mouro logo planeou assassinar como represália.
Entretanto, se à mãe passou a ministrar um veneno de acção lenta, pela filha, acabou por se apaixonar. Filha, a quem o pai planeava casar com um cavaleiro de sua fé, não amado por ela!
O amor do mouro era mais correspondido pela jovem, que entretanto tomara conhecimento dos planos egoístas do pai. E, forçosamente, os apaixonados deixaram o castelo e desapareceram para sempre…
Reza a lenda que, nas noites de São João, o casal pode ser visto abraçado no alto da Torre de Menagem e, a seus pés, jaz no chão a implorar perdão, o cruel D. Ramiro!
A HISTÓRIA
A partir do século III, o sítio do castelo de Almourol foi ocupado por outros grupos; nomeadamente os Alanos, os Visigodos e os Muçulmanos, (estes últimos a partir do século VIII).
No século XII, a fortificação já existia por eles denominada como Al-morolan (pedra alta). Estrabão, historiador grego, já tinha dado a denominação com o termo de “Moron”, referindo-se a uma cidade situada à beira Tejo!...
À época da Reconquista cristã da Península Ibérica, quando esta região foi ocupada por forças portuguesas, Almourol foi conquistado em 1129 por D. Afonso Henriques (1112-1185) e, o Soberano entregou-o aos cavaleiros da Ordem dos Templários, então encarregados do povoamento do território entre o rio Mondego e o Tejo, e da defesa da então capital de Portugal, Coimbra.
Sob os cuidados da Ordem, constituído em sede de uma Comenda, o castelo tornou-se um ponto nevrálgico da zona do Tejo, controlando o comércio de azeite, trigo, carne de porco, frutas e madeira entre as diferentes regiões do território e Lisboa. Acredita-se ainda que teria existido uma povoação associada ao castelo, em uma ou em ambas as margens do rio, uma vez que, em 1170, foi concedido foral aos seus moradores.
A ACTUALIDADE
Integra actualmente a região do Oeste e Vale do Tejo, em Portugal, embora a sua localização seja frequentemente atribuída a Tancos, visto ser a vila mais perto e de onde se vislumbra melhor.
Ergue-se num afloramento de granito a 18 m acima do nível das águas, numa pequena ilha de 310 m de comprimento por 75 m de largura, no médio curso do rio Tejo.
E constitui um dos exemplos mais representativos da arquitectura militar da época, evocando simultaneamente os primórdios do reino de Portugal e a Ordem dos Templários, associação que lhe reforça a aura de mistério e romantismo.
Nota: Pesquisa feita por V. Oliveira




































